AS RIQUEZAS DO INTERIOR

Riquezas do Interior, o livro de estréia da escritora mineira Elenise Evaristo, abre caminhos no cenário literário brasileiro com a telúrica brejeirice de Minas Gerais. É em horinhas de descuido, como diria o também mineiro Guimarães Rosa, que Elenise capta momentos do cotidiano das cidades do interior e, com uma linguagem leve e acessível, convida o leitor a conhecer as riquezas de suas lembranças e de sua terra. Amalgamado ao seu estilo, Elenise utiliza seu repertório de leitora que vai de Drummond a Proust, passando por Machado de Assis e Rachel de Queiroz, para dar forma a sua escrita. Nas 27 crônicas que compõem o livro, a escritora traz à tona a imagem dos contadores de “causos”, a alegria das festas tradicionais, a inata religiosidade do povo de Minas, a singularidade da cultura popular das Gerais e reverencia personalidades marcantes e importantes por sua “mineirice”, como Fernando Sabino e Juscelino Kubitschek. Sob o olhar sensível e aguçado da autora, são resgatados valores humanos que, ao contrário do que se pensa, não ficaram perdidos no tempo, mas adormecidos no íntimo de cada um. Riquezas do Interior é um convite para que esses valores sejam despertados e para que possam ser postos em prática o quanto antes. Um mergulho no interior de cada indivíduo. Uma percepção das riquezas do ser humano. É o que Elenise Evaristo desafia seu leitor a fazer. * Texto escrito por Ana Carla Nunes e Beatriz Badim de Campos

MELODIA DO NATAL


              Aqui em casa tem um LP da “ AHarpa e a Cristandade” do músico paraguaio Luis Bordon. O fato é que o tal LP, datado de 1.977 ( nasci a  dois anos depois) pelo  meu saudoso pai está ,meio arranhado, mal dá para ouví-lo. Tentei ainda copiá-lo, mas em vão. O disco me lembra a infância. A pequena sonata que tanto me encantava. Procurei ainda na internet se havia um CD ou algo similar para comprar, li que as músicas foram passadas para CD sim, embora tenha perdido um pouco a originalidade do som, mas enfim, não achei nenhuma loja que o oferecesse. Aliás, se alguém o souber, por favor me avise...
A Harpa e a Cristandade, o natal...Atiço minha memória afetiva. A mesa farta no espaço onde cozinha e copa se fundem mineiramente em um “ trem “ só. A família unida, o cheiro de carne assada que perfumava a cozinha.Na véspera do Natal o sapatinho esperando o presente do Papai Noel na janela, que amanhecia sempre com um presentinho . A àrvore com o pisca-pisca me transportava(como até hoje) para além dos meus pensamentos, devaneio pueril que ainda me persegue.Depois do ritualístico almoço,já de tarde,  lá ia eu com meu pai e minha bonequinha que havia ganhado à missa das 5 horas, enquanto minha mãe ficava em casa com as visitas.Sempre queria que nevasse aqui no Natal, para usar aqueles gorros, fazer bolas de neve;ainda não entendia que nosso clima não me permitiria tal façanha, e olhava a chuva tênue na esperança de um grãozinho branco para completar minha felicidade.
               Do nada, me recordo do conto da escritora Lygia Fagundes Telles, intitulado “Natal na Barca” onde acontece o verdadeiro natal.O conto onde uma narradora em uma barca,acompanhada de uma mulher e seu filho,acredita que a criança está morta no colo da mãe, mas por fim a criança acorda:
 Acordou o dorminhoco! E olha aí, deve estar agora sem nenhuma febre.

 — Acordou?!  Ela sorriu: 
 — Veja...

 O milagre do natal!
Comecei falando do LP, passei pelo meu natal e lembrei-me do conto. Pensamentos sincrônicos que de certa forma acabam fazendo a coerência.Retomo o fio  condutor.Hoje, meus pais são falecidos, minha família ainda se reúne, embora às vezes falte um ou outro, mas a união  do espírito natalino permanece, mesmo que por um telefonema.A àrvore já não é a mesma da infância, mas outra ocupa seu lugar no mesmo canto, ali na sala, junto ao presépio que espera até  amanhã  a imagem do Menino Jesus.
O Natal continua, a mesa continua, os presentes continuam, a união também, só me faltou a doce melodia de “ A Harpa e a Cristandade”.
 Feliz Natal para todos, com as bênçãos do aniversariante, o Menino Deus.

A PRAÇA E OS POMBOS



        Três Corações, Praça Principal Odilon Rezende Andrade. Sempre que posso, me sento num banquinho ali à tarde em dias suaves e coloridos com a cor da Primavera. É sublime  ver a tarde se pondo, com suas luzes claras e avermelhadas.  Pena que poucos têm tempo de apreciar estes transcendentes momentos. Observo que os pombos ficam ali, exibindo seus estupefatos peitos, esperando com graciosidade a pipoca das crianças. Sei que podem causar alguma doença, mas, ali no seu cantinho, como são inocentes!Recordo-me de minha sobrinha Sofia, com seus dois aninhos, correndo ternuramente atrás dos afoitos pombinhos, com a intenção de alimentá-los. Mas os pombos fugiam e depois voltavam timidamente, até que Sofia viu que a melhor solução era tacar a pipoca de longe, onde a avezinha ia buscar sorrateira, na certeza de que ninguém a estava observando em seu território. Tardes graciosas aquelas.
Toda cidade tem sua praça principal, e não pode faltar  o coreto. As atrações são feitas basicamente ali, principalmente em cidadezinhas do interior. Praças possuem um encanto único com cheiro de infância.Recordo aqui  dos dias em que a famosa Velha Guarda de Três Corações ia tocar nas noites, senão me engano, às terças-feiras. Na época eu estudava no velho e saudoso Colégio  Estadual, e sempre que podia cabulava aulas para ouvir o som do afinado samba. Hoje a Velha Guarda já não toca mais nas noites de terças-feiras.
Descendo a memória afetiva, tenho saudades da fonte luminosa, onde fazia questão que meu pai me levasse para apreciá-la, saboreando a  já falada e sagrada pipoquinha, ou deliciando-me com um sorvete. As noites de domingo eram imperdíveis.
Recordações... Comecei falando sobre as tardes na praça, e depois já emendei com a noite... O certo é que Sofia cresceu, está com 12 anos,o samba parou de encantar nossas terças,a fonte luminosa perdeu seu brilho, e os pombos continuam lá, firmes em seu ritual.


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INSÔNIA

            Numa noite de insônia:

São 03:25 da manhã. Estava deitada desde as 01:30, tentando me entregar à suavidade do sono. Não adianta!Sofro de insônia. A insônia pode ser uma boa amiga, não reclamo dela, mas não hoje. Hoje queria me entregar aos prazeres oníricos. Sabe aqueles dias (ou melhor, aquelas noites), onde o melhor é dormir? Pois é, estou me sentindo assim. Já mexi no computador, TV, e tomei um leitinho com açúcar, quem sabe se apelar para o chá de camomila, mas vi que hoje vai ser uma dura noite. Tenho um fiel companheiro, um rádio portátil(confesso que não gosto de foninhos enfiados no ouvido, daí minha preferência retrógrada) onde adoro ouvir noticiários,ou mesmo, qualquer estação que me distraia. Nem o rádio hoje está possibilitando a chegada do sono. Desligo, tento ouvir os barulhos noturnos, amo ouvir as estrelas, como já dizia Olavo Bilac, mas a noite hoje está silenciosa.
O jeito é me levantar, e estou aqui escrevendo na tentativa de dormir. Folheio um dicionário. Cada palavra linda e estranha: blandícia, quem diria que esta palavra significa afago? Outra, tamarutaca: nome comum aos crustáceos da ordem dos Estomatópodes. O que é estomatópode? Pergunta-me o que é estomatópode, ahhh, se não souber procure no dicionário. Só sei que estas duas últimas palavras estão ótimas para se fazer um bom compêndio na área de Biologia.
Estou impaciente, tenho inveja dos que se entregam rápido aos braços de Hipnos, deus do sono, pai de Morfeu. Quando uma pessoa diz cair nos braços de Morfeu, às vezes mal sabem que ele, Morfeu, é na realidade deus dos sonhos, e não do sono. Suave diferença. Confesso que eu também antes não sabia. Mas, repito, quero é me deleitar nos braços de Hipnos.
 Olho o significado da palavra insônia no meu dicionário: falta de sono, dificuldade de dormir, vigília. Ai, pra mim hoje está sendo uma verdadeira tortura, procuro o que fazer, e parece que já fiz tudo... Tiro os óculos, tenho astigmatismo, que segundo o dicionário é:perturbação visual por defeito de curvatura do cristalino.Que explicação mais coesa! Não me sinto com sintomas desta deficiência, mas se meu oftalmologista diz que eu tenho isso, quem sou eu pra contestar? Bom, segundo ele, quem sofre disso, um dos sintomas é que lendo sem os óculos, pode vir um soninho. Tento chamar o sono através dessa constatação de meu médico. Que nada! Fico mais acordada ainda. Lembro que uma vez num livro de Teoria Literária, estudando Freud (o que Freud tem a ver com Literatura? Tudo.) tinha uma parte falando sobre insônia, onde ele fazia uma relação entre a insônia e melancolia, esta última que afetava o superego e ai surgia a falta de sono, algo assim. Que falta do que pensar, consequências (saudades do trema) da bendita insônia.
Folheio um livro de crônicas, antes de terminar esta. Tomo água, dizem que existe a ressaca do sono, será?Apelar para contar carneiros; não, não vai adiantar, é perigoso eu espantar os carneiros e ainda ficar acordada.
Fiquei enrolando para fazer esta crônica, neste ínterim fiz ínfimas coisas, que pareciam longas demais, o tempo não passa... Olho para o relógio, são 04:45, o que me resta fazer além de dizer bom dia àqueles que estão já acordando? Bom dia!

 

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A FAMA DAS GERAIS


Acabei de ler o livro intitulado: Fernando Sabino, o Reencontro, de Arnaldo Bloch. Estava ávida pelo livro faz tempo e acabei criando vergonha na cara e encomendei pelo correio, já que infelizmente Três Corações anda àrida de livrarias. O livro fala sobre a vida do “menino” Sabino.
O fato é que notavelmente e fatalmente, por falar no cronista, me lembrei dos grandes personagens das Gerais. “Evém” mineiro, como diz o escritor citado, Sabino. Começando pelo poeta Drummond, o “gauche” da poesia, tem coisa mais deliciosa que ouvir Drummond narrando um de seus poemas? É música para os ouvidos. Remeti-me ao grande cantor e compositor Milton Nascimento, que é naturalmente carioca, mas interiormente mineiro. Acho que não é a toa canta com toda emoção a linda letra Minas Gerais-
Com o coração aberto em vento
Por toda a eternidade
Com o coração doendo
 De tanta felicidade...
Sem falar de Tancredo Neves, mineiro de São João del-Rei, que participou ativamente das diretas já, e se tivesse chegado e certamente seria o ótimo presidente. Juscelino Kubitschek, de Diamantina, construiu Brasília, como diz a moda de viola: “Quero ver cabra de peito pra fazer outra Brasília”.
O grande Roberto Drummond, retomando minha suspeita admiração pelos escritores. Hilda Furacão arrancou aplausos, misturando ficção e realidade sobre a antiga Belo Horizonte, rendendo elogios ao livro, e futuramente se tornando uma linda minissérie. Ele suavizou a sociedade, de forma romanceada em “ O Cheiro de Deus” com personagens marcantes como Catula e o lobisomem, um realismo fantástico surpreendente. Ah, Minas, és tão linda, com todos seus costumes e crendices.
         O famoso clube da Esquina, anaforicamente trazendo Milton Nascimento, e a junção do compositor Fernando Brant, e outros músicos maravilhosos, como Flávio Venturini, Lô Borges e outras grandes feras desse estilo totalmente mineiro. Como herança, o grupo 14 Bis, vem sempre ao sul de Minas, encantando a todos com suas canções. Como já diz  também a canção: “esse povo do mar de Minas do interior, este povo não tem fronteiras não tem senhor..." Uma oração para os mineiros.
         Termino por aqui, já que dariam inúmeras páginas se fosse citar todos os nossos artistas, começando com Aleijadinho, desde o Barroco, Tomás Antônio Gonzaga, os grandes árcades. Ufa, chegando aos dias atuais, na arte televisiva com Lima Duarte, O grupo Corpo, no teatro... Tantos nomes, muito já foi falado, muito se tem a falar.

O CACHORRO



Estudos anteriores mostraram que os  cães  surgiram no leste asiático, fato contestado recentemente por alguns pesquisadores, que afirmam que o dócil animal surgiu no Oriente Médio. A recente pesquisa, com fundamento em registro arqueológico mostra forte elo entre a domesticação de cães naquela região e o surgimento da civilização humana.
São vários os tipos da raça, tem para todos os gostos, o poodle, o pincher, o doberman, o dálmata, o adorado vira-lata, servindo de companhia para todas as idades. Não é de estranhar que pesquisas afirmem também  que quem tem um cãozinho, é menos propenso à depressão.Com a mistura de raças de cães rudes e corajosos, surgiu o famoso  e temido pittbul, que devo confessar, com aquela focinheira e os olhos meio apertadinhos me causa medo, e foi até banido de alguns países.Bom, sabendo cuidar deste hostil  canino, tudo bem.Mas devo admitir que prefiro os cachorros pequenininhos, são mais fáceis de cuidar , me lembro do obsoleto pequinês, com aquelas barbichinhas e os dentinhos pra fora, teve uma época que era verdadeira febre.     Engraçado que sempre tive uma ligação muito forte com animais, principalmente  cachorro. Na minha rua outrora apareceu um, não sei de onde, e todos cuidavam dele. Quando comecei a sair, eu e minhas amigas às vezes chegávamos um pouquinho tarde, e o danado sempre aparecia para nos  acompanhar até em casa, era impressionante! Como um guardião.
Aqui em casa, temos sempre o hábito de criarmos dois cachorrinhos, se um falece, passado o período de luto pelo animal, tratamos de providenciar outro. Temos o  Cafu, que já está  meio velhinho.  Certa vez caiu e se machucou,  e instintivamente e manhosamente às vezes  usa do argumento de mancar para chamar  a atenção.Adora um paparico. O outro é o pueril  Toquinho, que se diverte em meio ao mato, chuva, enfim, natureza em geral. Esperto e bagunceiro como só ele sabe ser.
Mas volto à pesquisa, a maioria dos cães tinha ligações genéticas com lobos do Oriente Médio... Bom, na verdade, de onde surgiram os cães não me interessa muito, o que quero relatar, na realidade, é que dias desses, fazendo minha habitual caminhada, deparei com uma cena digna de sensibilidade e compaixão. Um cachorrinho branco, havia sido atropelado em uma avenida famosa de Três Corações, pessoas pararam para olhar, os carros desviavam para não ferir ainda mais o bichinho estendido na rua com a barriga sangrando. O motorista que o atropelou depois enrolou o cãozinho em um pano, que parecia uma camiseta, sendo ajudado por mais dois outros homens. Pois bem, o motorista  poderia ter fugido;  mas não. Disse, porém, que levaria o acidentado ao veterinário. Uma mulher, que parecia ser sua esposa, o acompanhava e passava a mão sobre a cabecinha do animalzinho, que mesmo em meio à dor, retratava agradecimento  pelo gesto complacente. Não sei o que aconteceu ao animalzinho, tomara que tenha se recuperado e arrumado um lar, pois parecia um cachorro de rua. Ainda acredito na bondade do ser humano, pequenos atos são capazes de fazer milagres na alma.

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A ARTE DO CARTEIRO

Ontem foi 1º de Maio, dia do Trabalhador. Hoje recebi um documento através do carteiro, documento que tive de assinar para ser entregue, me fazendo pensar pensar sobre o maravilhoso ofício que é o de  entregar correspondências. Já disse que amo escrever cartas, e acredito que outros também se deliciem com este âmago ato. Espero e acredito que com toda tecnologia, os carteiros sempre terão o que entregar, uma cartinha enamorada, ou mesmo que seja só uma dolorosa carta de cobrança, se bem que hoje tudo pode ser resolvido pela internet. Quem nunca se emocionou com o belíssimo filme “O carteiro e o poeta”, sobre a amizade entre um carteiro, semianalfabeto, que tenta conquistar sua amada com a ajuda do grande poeta Pablo Neruda, em meio à conturbada política que estavam vivendo. Metáfora pura.
Profissão antiga essa, nossos primeiros aspirantes a carteiros foram os tropeiros, que levavam cartas de um rincão a outro. Soldados ansiavam por notícias de entes queridos em época de guerra. Cartas... Como era emocionante, quando crianças, estarmos crentes que nossas cartinhas iriam para o bom Velhinho em época de Natal, genuína  recordação.
Começo, nesse ínterim, a lembrar de outras profissões contínuas,porém  quase não divulgadas, , ainda importantes, e principalmente, atuantes, talvez só com a diferença de ter uma clientela especial. Lembro-me do carpinteiro. O pai de Jesus, são José, era carpinteiro, vi uma imagem linda em alguma igreja, onde o bondoso santo parece estar cortando um pedaço de tábua com algo similar a um serrote, com o menino Jesus observando, do seu lado.Aliás,(tudo vai se encaixando na construção do texto, é incrível),  o padroeiro do meu bairro é São José, e a semana toda foi realizada a novena  e quermesse ao padroeiro, representante do trabalhador em si.Tradição do interior!Meus pais às vezes pediam algo para um excelente carpinteiro, sempre se dispondo com suas ferramentas a consertar, e seu filho hoje segue sua construtora profissão, criando formas e consertando coisas com suas ferramentas mágicas.
Ah, e temos também ainda pelas cidadezinhas de Minas, o antigo leiteiro, só que agora ele entrega o leite em saquinhos  devido à fiscalização, a vantagem é  que ainda vem  até  a porta. Boa lembrança... Quando criança,minha mãe comprava leite de uma senhora, que morava em  uma casa rural, (é comum por aqui casas urbanas em contraste ainda com casas em estilo campesino,  retratos de uma época fértil), eu acordava cedo e fazia questão de ir buscar com uma leiteira de alumínio; ínfimo e  radiante momento de felicidade.
Dentro deste hiato, não  posso me esquecer das costureiras, senhorinhas sentadas em frente às máquinas, fazendo remendos, misturando cores e tecidos, criando roupas para a criançada, com o aconchegante barulho das máquinas a cerzir; hoje se acha tudo pronto nas grandes lojas, em pequenos quartinhos, aqui na cidade tinha muitas.
Outro ofício que mal ouvimos falar é o de sapateiro. No consumismo moderno, é tão mais fácil comprar outro par de sapatos do que pedir ajuda ao sapateiro. Mas confesso, ainda recorro muito a este profissional, e os sapatos e sandálias ficam como novos.
Profissão também“esquecida”, a do professor, o construtor do saber, esquecida porque e apesar de sua grande função, não é valorizada, sendo deixada de lado, tamanho descaso. Mas, tenho esperança ainda de uma reavaliação na Educação, e digo: meus professores trago comigo no coração.Rima verdadeira.
Agora que dei conta, comecei a crônica falando sobre carteiro, e acho que dei o título errado, talvez um outro: “Profissões que ainda Permanecem”, seria mais adequado. Mas seu eu desse outro título, teria de cortar este parágrafo; acho desnecessário. Bom, ia falar do carteiro e naveguei por outras profissões. Quimeras à parte, talvez, eu seja obsoleta, mas são coisas que ainda trago na memória, profissionais que vi exercer o ofício em minha  infância. e Mas ainda vejo por ai, em alguns cantos, resquícios desses ofícios.                                                                                                 Espero também para fechar,  que o ato de escrever pra sempre permaneça,assim como outras profissões que nem sequer imaginamos ainda  existir. Que o ofício do escritor, continue fecundando a imaginação e levando conhecimento, fazendo da arte de escrever um contentamento, como se sente ao receber uma afetuosa carta.

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SOFIA, HERÓIS E ATUALIDADE

Minha sobrinha Sofia veio me pedir ajuda para um trabalho de escola. Está estudando os Mitos e era para criar um nome de um super-herói e fazer uma história atual. Discutimos vários nomes, alguns engraçados demais , outros fora da atual conjuntura,que levamos a um verdadeiro plebiscito familiar, e ficamos ali no presente momento sem chegar a nome algum. Como  o prazo dado ao trabalho foi de uma semana antes, ainda teríamos tempo de pensar. Depois chegamos a dois nomes : Supertecnológico,  devido ao homem se tornar dependente das tecnologias, viver em função do computador, imaginei, mas tentaria  explanar o tema pra ela de forma positiva, embora minha visão fosse negativa.Um homem bonzinho que vivia trabalhando em seu escritório abarrotado de papéis , ligado ao computador, e depois em sua identidade secreta ajudasse as pessoas  , mais ou menos por aí.O outro seria o Superecológico, homem que protegesse a natureza quando estivesse em perigo e que alertasse a população sobre a preservação do meio  ambiente.Devo confessar que não foi fácil escolher um  nome,às vezes as coisas mais simples são as mais complicadas.
Abro um parêntese. Quando comecei a estudar os Contos de Fadas , foi falado sobre os mitos. Não me cabe aqui falar sobre o processo  mito-herói símbolo/relação com os contos, já que pretendo fazer uma crônica e não um artigo.A crônica deve ser informal como já diria  o mestre Zuenir Ventura.O artigo fica para outro dia, talvez.
Podemos considerar um herói, seja o Hércules da Mitologia grega, seja o super-homem de hoje, com atributos de força extraordinária, com seus defeitos e qualidades, onde prevalece sempre o ato de nobríssimo  caráter. Herói, na luta contra o mal, ou consigo mesmo, quando  descobre sua verdadeira origem( podem observar que a maioria dos heróis  são órfãos ou abandonados).
Volto para o assunto em si: o nome e o texto a ser feito. Repito:como  é difícil escolher o nome de um herói hoje em dia, em meio a vilões da política, em meio à violência caótica, mas lembremos dos poucos e verdadeiros heróis que nos cercam e nos dão a verdadeira base da dignidade, os pais, os professores, os amigos...
Heróis, ficção, estereótipo de coragem, proteção. Deixei Sofia escolher entre os dois, depois ajudei discutindo fatos com ela para sua narrativa.  Ficou um texto rico dentro de suas palavras de 6ª série. O tema escolhido por ela foi o Superecológico. No fundo eu sabia, é uma menina que ama a natureza, a começar por seu cãozinho Toquinho. Momento epifânico de nós duas na construção do texto da vida com o cálamo da felicidade.

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ENCANTO DE OUTONO

O outono segundo as previsões começou  hoje por volta das 2 horas e 11 minutos. Não me importo em saber  o horário exato,são dados meramente informativos,  o que importa é que ele chegou com suas cores e junto com as tênue chuvinha de Março, que afinal não faz mal a ninguém. Já escrevi muito sobre o outono, minha estação preferida, temo ficar repetitiva, mas o que é a escrita  além da constante  intertextualidade?Eu simplesmente  não poderia deixar  de contemplar este dia.
Aqui em Três Corações , quando tenho oportunidade de caminhar  pelo Bairro Atalaia(que já é lindo e misterioso por si só), entro em catarse  com as tardes outonais, é uma emoção infinita, só vendo para sentir.Uma garça voa sobre o espelho crepuscular do  outono refletido no lago do Clube dos Subtenentes do Exército( lugar esplêndido, onde encerro a caminhada); o ocaso  digno da metafísica de Fernando Pessoa. A beleza da criação, o sol se pondo amarelo e abóbora, com o céu  avermelhado alinhado com o verde vida das árvores locais.Algumas folhas permanecem vivas, outras se despojam de seus galhos, como um tapete amarelo para flutuar o calmo  vento do Outono.Como já diria Quintana, em seu haicai sobre o outono:
Uma borboleta amarela?
Ou uma folha seca
Que se desprendeu e não quis pousar?
Outono, até as pessoas ficam com mais charmosas, roupas elegantes contrastando  com o delicioso clima sedutor do verão.Cada estação com sua particularidade, mas ainda prefiro o Outono. Até os dias cinzentos ficam  bonitos devido à estação, e olha que detesto a cor cinza, acho sem vida, mas no outono tudo é diferente.Quitutes deliciosos são dignos do sabor  outoniço: o famoso bolinho de chuva, biscoito de polvilho frito, além do sagrado  pão de queijo quentinho com o cafezinho coado na hora, de preferência no coador de pano; pratos fumegantes como a canjiquinha bem recheada, já aquecendo para os pratos do inverno. Depois é  só tomar cuidado com a balança.Outono combina com cobertor que  rima com amor.
Estação do aconchego. Outono, suave repouso, época de paz, hiberno da alma, para que despojados e descansados, sigamos o ciclo no jardim chamado vida.


          Dia 14 de Março.Dia do nascimento do poeta dos escravos, Castro Alves,e por conseguinte  é o dia Nacional  da Poesia, mas afinal, o que é a poesia?Há diferença entre o poema e a poesia .Poesia corresponde ao instante em que se encontra o autor, o transe poético,  e a poesia é o resultado deste instante.. Poema, métrica, rima, antes o que dava perfeição aos poemas era a forma. Depois versos livres, versos brancos, pois  afinal além da forma é preciso sobretudo ter alma para a verdadeira poesia...

Com respeito em especial ao parnasianos ,não que eu seja contra a forma, mas antes da forma, a sensibilidade.... Versos decassílabos, sonetos, haicais... Várias manifestações poéticas além da sutil prosa poética.Poderia falar aqui sobre a história do poema,explanar o tema, mas não.A existência do poema em si basta.
Fazer poema dói, é preciso ter cuidado, é preciso que o leitor absorva o sentimento do autor, por isso é difícil. Difícil e complicado, porém  hoje qualquer um afinal, se diz poeta...
O verdadeiro poema é sentido, não lido.Gostaria deste instante de fazer um poema mísero que fosse para louvar o dia,  mas infelizmente a epifânia poética  não se encontra comigo neste instante. Aliás, hoje estou realmente sem inspiração, escrevendo essas ínfimas linhas. Não vejo outra saída, a não ser fechar o texto  com os versos do poeta, que melhor  define a hora instante.
Homenagem ao ato da poesia, e também aos efêmeros momentos de expiração, que acometem os poetas e a todos os escritores, afinal escrever é humano. Versos mais lindos sobre o instante da criação( ou a falta dele), do poeta itabirano Drummond.

Gastei uma hora pensando um verso
que a pena não quer escrever.
No entanto ele está cá dentro
inquieto, vivo.
Ele está cá dentro
e não quer sair.
Mas a poesia deste momento
inunda minha vida inteira.


Parabéns aos poetas e também aos que fazem da vida a eterna poesia!


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A CRÔNICA NOSSA DE CADA DIA

João do Rio

                                  Crônica.  Palavra de origem grega(Kronos-tempo), derivando ao latim chronica.Significa relato objetivo de acontecimentos dentro de uma trajetória no tempo.Croniqueiro e cronista era a pessoa que escrevia crônicas. No século XIX, as crônicas podiam ser chamadas de folhetins, colocadas na maioria em rodapés dos jornais. Depois foi reconhecido o termo crônica, tratando o folhetim somente  para designar a parte onde as crônicas e outras formas literárias eram escritas.A crônica, voltada à imprensa,  surgiu pela primeira  vez no ano de 1.799, no Journal de Débats,publicado em Paris, comentando de forma crítica os acontecimentos importantes da semana. Tinha total aspecto histórico, trazendo informações importantes ao leitor.
No Brasil eu poderia começar pela carta de Pero Vaz de Caminha, onde estudiosos dizem se tratar na integra da primeira crônica brasileira, devido ao seu perfeito relato do contato com nosso irmão índio....Mas ai entra outra questão ainda muito discutida pelos críticos - se o  que escreviam os europeus pode ser considerado nossa Literatura Brasileira -, mas isso é bom para discutir numa aula de Teoria da Literatura, não aqui. Apenas uma breve introdução.
Confesso que outrora era fissurada por contos, tomava doses de Lygia Fagundes Telles, Dalton Trevisan, os contos fantásticos de Murilo Rubião... Lia e escrevia contos. Aliás, gosto ainda de escrevê-los tenho alguns e pretendo futuramente publicar.Comecei a gostar de crônica profundamente no final do Ensino Fundamental, e depois ela se apossou de mim, de tal forma que não pude escapar.
Hoje, não existe gênero mais brasileiro que a crônica, seja ela esportiva, lírica, humorística ou em  outras facetas... Machado de Assis, José de Alencar, João do Rio,retrataram  tão bem nossa sociedade através do gostinho da crônica...Rubem Braga, o sabiá das crônicas, o lirismo de Fernando Sabino, o humor crítico de Stanislaw Ponte Preta, a metáfora de Rubem Alves, a tão bem observada alma humana nos textos de Carlos Herculano Lopes, enfim, são  tantos para citar, e cada um com sua peculiaridade dentro da crônica, merecendo  páginas inteiras na  exploração de suas obras.
Carlos Herculano Lopes
Só para se ter uma exemplificação da transformação de um fato do cotidiano, a notícia de um jornal pelo refinar da crônica( a evidência do lirismo  através do gênero), pego aqui um trecho de Jorge de Sá, no livro : A crônica ( que indico para os apaixonados pelo assunto),onde cita uma  notícia nua e crua e depois  através dos dizeres  do cronista Stanislaw Ponte Preta. Primeiro, na visão de um  jornalista: “ João José Gualberto, vulgo ‘Sorriso’, foi preso na madrugada de ontem , no Beco da Felicidade, por ter assaltado a Casa Garson, de onde roubara um lote de discos”Agora na visão do adorável e irresistível cronista Sérgio Porto na pele de Stanislaw Ponte Preta: “ O Sorriso roubou a música e acabou preso no Beco da Felicidade”.
Entenderam?Bom, realmente acho que não preciso dizer mais nada, eis a função da crônica!

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A BANALIZAÇÃO DO AMOR

Recentemente assisti ao filme: Como você sabe, que na íntegra fala  sobre como saber quando uma amizade está partindo para o amor.Bom o filme, para aqueles que assim como eu, não dispensam um filme romântico desde o mais “mamão com mel” até o mais dramático.
Mas meu objetivo aqui não é falar sobre o referido filme, aliás, o referido me fez uma alusão  para  escrever esta crônica.O eterno tema:o amor.Me veio a mente a banalidade que o amor sofre nos dias atuais.
O filme...como saber quando uma  amizade vira amor?Bom, na concepção que vejo, cada vez mais o amor vem sendo separado de seu real significado. É surpreendente como as pessoas trocam de amor como se troca de roupa. Se no Romantismo se morria de amor, no presente o conceito de amor para alguns chega a ser frustrante. Começo pelas redes sociais. Salas virtuais onde o amor pode ser concebido como verdadeiro ato poligâmico. Quem tem a melhor prosa sai ganhando. Parto para o encontro formal, onde um tênue descontentamento no outro acaba por afastar o casal,afinal assim é mais fácil.Conquistar leva tempo e é mais fácil partir para outro relacionamento do que realmente conhecer no seu sentido amplo; e assim se vai  levando os relacionamentos, que podem durar uma hora, cinco dias...um mês.Se é que é possível essas mudanças repentinas serem chamadas de amor(?).Onde fica Eros e Psiquê nessa história?
Volto ao Romantismo, onde para conquistar a moça, o rapaz passava por etapas homéricas. Cartas escondidas ansiavam pelas mãos da pessoa amada. Havia o sabor da conquista, tempero fundamental  do amor. Hoje, se não gostei da pessoa, posso deletar de minha vida. Deletar...Neologismo frio como se feito para a própria máquina chamada computador, e não somos máquinas.
 Esperar pelo amor, ou se atirar por ai...Amor se cura com outro amor? Clichês pendentes... Depende. Mas sei que não é achado na liquidação de estoque. Pensamento obsoleto o meu? Não acho.Como já diria o poeta:
 Eu possa me dizer do amor (que tive):
          Que não seja imortal, posto que é chama
            Mas que seja infinito enquanto dure.
E  que dure pelo menos mais de um segundo!

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O outono vem vindo

O outono vem vindo.Hoje, primeiro dia da Quaresma, poderia escrever sobre os famosos “causos”, que é muito frequente no interior de Minas;poderia falar sobre o resultado das escolas de Samba, ou mesmo sobre o fim do carnaval, mas não...É que estou com vontade de falar sobre uma das minhas estações preferidas, assim como a primavera, o outono. O outono não chegou ainda, mas já posso sentir suas premissas.
Ainda estamos no horário de verão, o céu hoje está acinzentado, uma chuvinha pachorrenta lá fora. As nuances do outono: uma leve brisa a invadir meu quarto de manhã, tal como uma doce mão a me acordar, mesmo sendo horário de verão, os dias tenho notado, estão mais curtos, escurecendo mais depressa não sem antes o entardecer se tornar digno de uma vermelhidão de Monet que só o outono sabe oferecer.Como diria Fernando Pessoa: Uma névoa de Outono o ar raro vela,
 Cores de meia-cor pairam no céu.
O outono está chegando, o hiberno da alma . As folhas amareladas caem tornando o chão admirável.Acho que no outono também nos despojamos de nossas folhas secas.A relação homem e natureza, que o psicanalista, educador  e cronista Rubem Alves certamente sabe explicar melhor que eu, através de suas metáforas.Segundo os dicionários, Outono é a estação do ano que precede o inverno e e que no hemisfério norte vai de 22 de Setembro a 21 de Dezembro e no hemisfério sul de 21 de Março a 21 de Junho. Definição evasiva. Para mim, o Outono é um poema a ser feito.Esperemos  o outono com ternura.


Lendo  Sérgio Porto, ou melhor, ele na figura do cronista mundano Stanislaw Ponte Preta é impossível não se render ao humor característico do autor dentro da prosa da crônica.Para começar, vejamos alguns personagens  da linhagem “fina” dos Ponte Preta, segundo o nobre autor:
 - Tia Zulmira-“ex-condessa prussiana, cozinheira da coluna Prestes, mulher que deslumbrou a Europa com sua beleza...”É a macróbia da Boca do Mato, lugar onde reside, prestando  seus sábios conselhos.
-Altamirando-primo de Stanislaw –“ Mirinho nasceu no ano da desgraça de 1926. Aos cinco anos de idade Mirinho conseguiu um fato inédito na vida dos maus caracteres existentes em todo mundo: foi expulso do Jardim da Infância. A professora pegou-o no recreio, falando de São Francisco de Assis. Preguiçoso e explorador , tem certeza de que poupa a humanidade porque poderia explorá-la ainda mais”.Um bom slogan para alguns políticos.
-Rosamundo das Mercês- “ o nome parece escolhido a dedo, pois sua proverbial distração deixa-o sempre à mercê de tudo”. Ficou rico quando arrumou um emprego de vendedor de bilhetes devido a sua distração. Esqueceu de vender os bilhetes e dois deles eram premiados, acabou ficando com eles e entregou o dinheiro  para sua mentora, tia Zulmira.
            Personagens que podem ser  comparados a Macunaíma, o herói “ torto”nacional.Além desses, existem outros personagens caricaturados, através do fabuloso  diálogo do escritor. Basta ler o famoso livro FEBEAPÁ para entender o que estou falando.Criticando as famigeradas  posturas sociais , situações da época que permanecem inabaláveis pelo ângulo irreverente  e ao mesmo tempo, crítico   do autor, que,  que só ele soube tão bem representar, convidando o leitor a refletir a época em que vive.Stanislaw também critica o intelectual tupiniquim . Não é à toa que o autor vive perguntando ao seu suposto revisor, Osvaldo,  sobre as expressões corretas das palavras no conteúdo das frases, ironizando o gramatiqueiro.Através de seu bom humor brasileiro, leviano na sutileza da leveza, soube construir uma linguagem inovadora e cativante.
Encerro com Jorge de Sá , exímio estudioso das crônicas , em definição ao texto de nosso amado escritor Ponte Preta: O humor , portanto, assume a função de recuperar a poesia, confirmando que a crônica e seu contexto jornalístico são uma realização literária sempre.
            Viva  a crônica nossa de cada dia ,em especial hoje ao inesquecível  Stanislaw Ponte Preta.

imagem:google

Referência: Tia Zulmira e Eu
O melhor de Stanislaw Ponte Preta
(Stanislaw Ponte Preta)
A Crônica( Jorge de Sá)

COMIDA E POESIA

Hoje fiz o almoço aqui em casa, quando posso me entrego aos prazeres da cozinha mineira, o prazer de fazer a nossa comida.Cozinhar tem todo um ritual, assim como escrever.Aqui em casa não gostamos do tempero industrializado,salvo quando  se está apressado,  é tudo feito à mão. Começando pelo descascar o alho,o picar a cebola :
...
luminosa redoma
Pétala a pétala
Cresceu a tua formosura
Escamas de cristal te acrescentaram...
Como já escreveu  o poeta chileno em  Ode À Cebola.Pensando bem,  menti, usamos sim algum outro tempero para incrementar, mas não sem antes colocar o  alho, a base do tempero mineiro, bem amassadinho.O refogar do arroz, o cheiro fumegante do tempero, sabor  de contentamento vivo e permanente.Acho que  não existe  prazer maior do que escrever e cozinhar para desligar do mundo e entrar no território mágico do sagrado. Já estou  entrando na metafísica, mas quem escreve é assim mesmo, uma  constante incoerência coerente.
Minha mãe cozinhava exatamente : arroz, feijão-roxinho, molho de batatinhas. Mas cantava. São os versos de Solar,poema de Adélia Prado .Molho de batatinhas...Transe sensorial de refúgio em um lugar recôndito:infância cristalizada.  Mãe,reminiscência da minha. O cheiro do café perfumando a casa quando   o preparava antes de me despertar  para à escola. Antes de me chamar eu já acordava com o saboroso aroma do café, mas não levantava enquanto não vinha ao quarto, dengo pueril. Minha mãe não cantava, mas ouvia todo dia seu sacratíssimo rádio ao preparar o café para tomarmos com o reminiscente pão com manteiga.
Puxa, arrepio... Mas volto à  Adélia Prado.Tem coisa mais terna e singela  do que o molho de batatinhas ?Bom,  gostaria de citar  aqui outros pratos deliciosos da nossa culinária, que nos transportam a um imperturbável sossego, sem desnecessário  uso  de hipérbole,  mas dariam um verdadeiro compêndio. Sei pelo que li, que Adélia Prado gosta dos prazeres da cozinha também, e lógico do bucolismo mineiro, como se pode perceber em Solar e  outros poemas. O poema Roça por exemplo:
 No mesmo prato
o menino, o cachorro e o gato.
Come a infância do mundo.
Cozinha e poema e encanto...Antes de tudo a melhor poesia é ser Minas.

Imagem:google

Encontro-me sozinha em casa. Deixo a luz da copa acesa, me sento no sofá da sala em frente à arvore de Natal. As luzes piscam...Nestes momentos de devaneio, em que me encontro só, aliàs, nestes momentos em que sou minha única companhia ,utilizo para refletir sobre  a vida. Às vezes preciso da solidão, perfeito momento para escutar a alma, reclusa como só eu me encontro.  Recordo e rio de uma amiga que me diz obrigada quando revelo alguma coisa a ela, dizendo que não só compartilhei o segredo comigo mesmo (à respeito de meu senso de silêncio). Entretanto não estou aqui pra falar sobre minha personalidade, mas do momento em que me encontrava metafisicamente perante a àrvore de Natal.
É dia 06 de Janeiro de 2012, estou aqui...(ou melhor, estava ali, já que agora estou escrevendo).Deixo claro que não sou misantrópica, mas curto esses momentos de solidão.É dia 06 de Janeiro, Dia de Santos Reis, os fogos anunciam a chegada dos foliões espalhados pela cidade. A Árvore de Natal ainda está armada aqui em casa, como tradição desarmamos somente após esse dia. 
Do vazio, começo a me recordar de natais passados... Colegas de infância que encontro hoje por acaso, que o tempo encarregou de separar, mantendo somente as fotos por testemunha; amigas que hoje são mães, e que ainda fazem parte do meu ciclo vital, embora o contato seja menor...Amigos que estiveram e estão presentes em todos os momentos da minha vida.Familiares que se foram, que ocuparam a mesa de ceia de minha casa, deixando a eterna saudade...Volto ao Natal, à espera pelo presente, além do saudoso  ato de colocar os sapatos na janela. Sim, já fiz isso, e meu pai não deixava de colocar qualquer coisa que fosse para manter viva a tradição do Papai Noel. O cheiro da carne assando, que minha mãe colocava no forno bem de manhãzinha, enquanto eu ia assistir à missa de Natal das crianças. Sinto um leve marejar nos meus olhos, as luzes da àrvore continuam piscando como a me envolver numa viagem sentimental.Para completar este estado de não sei o  quê, e nem quero definir, ouço as vozes dos foliões que estão em alguma casa cantando a saudação ao menino Deus.Tradição popular e de fé que se perpetuam.
Olho para o presépio. O Menino está ali em sua choupana, colocado no dia 25 de Dezembro, enquanto os Três Reis Magos aguardam ansiosamente para adorá-lo. O pobre menino que nasceu e deve viver em nossos corações, foi assim que aprendi, embora o mundo ande muito precisando Dele. Mudando da árvore para presépio, partes do mesmo momento...Momento de contemplação que se rompe... Encontro-me na sala de casa. O pequeno cachorrinho Toquinho, bagunceiro como só, traz uma bola na boca, para brincar com ele, me convidando a voltar à realidade. Bom início de Ano a todos com as bênçãos dos Três Reis Magos e o menino Jesus!

imagem:google

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PRIMEIRO LIVRO DE CRÔNICAS, INTITULADO “RIQUEZAS DO INTERIOR” DA ESCRITORA ELENISE EVARISTO. Este projeto visa divulgar novos nomes e publicações relacionados a Cultura da Cidade de Três Corações, através do lançamento do livro de crônicas “Riquezas do Interior”, da iniciante escritora Elenise Evaristo, contemporânea, mineira, dotada de sensibilidade e cultura e que com estes adjetivos, retrata na sua primeira publicação, embora já tenha sido apresentada ao mundo literário, através da publicação de um artigo, em livro lançado em 2008, intitulado: Quem conta um Conto de Fadas... Uma introdução aos contos de fadas dos Org. Geysa Silva e Luiz Fernando Matos Rocha. INTRODUÇÃO O Estado de Minas famoso por reunir marcas de um passado de riquezas Patrimoniais e Arquitetônicas, trazidas pelo Barroco e Rococó produzidos no século 18, e que garantiu que parte das cidades históricas adquirissem títulos de patrimônio da humanidade por parte dos órgãos responsáveis, possui ainda mais requinte quando se trata do legado da Cultura popular deixada pelos povos mais antigos. A cultura mineira tradicional fértil e diversificada, atravessa tempos e mostra para o Brasil a importância de se abrasileirar ainda mais as nossas tradições !

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