AS RIQUEZAS DO INTERIOR

Riquezas do Interior, o livro de estréia da escritora mineira Elenise Evaristo, abre caminhos no cenário literário brasileiro com a telúrica brejeirice de Minas Gerais. É em horinhas de descuido, como diria o também mineiro Guimarães Rosa, que Elenise capta momentos do cotidiano das cidades do interior e, com uma linguagem leve e acessível, convida o leitor a conhecer as riquezas de suas lembranças e de sua terra. Amalgamado ao seu estilo, Elenise utiliza seu repertório de leitora que vai de Drummond a Proust, passando por Machado de Assis e Rachel de Queiroz, para dar forma a sua escrita. Nas 27 crônicas que compõem o livro, a escritora traz à tona a imagem dos contadores de “causos”, a alegria das festas tradicionais, a inata religiosidade do povo de Minas, a singularidade da cultura popular das Gerais e reverencia personalidades marcantes e importantes por sua “mineirice”, como Fernando Sabino e Juscelino Kubitschek. Sob o olhar sensível e aguçado da autora, são resgatados valores humanos que, ao contrário do que se pensa, não ficaram perdidos no tempo, mas adormecidos no íntimo de cada um. Riquezas do Interior é um convite para que esses valores sejam despertados e para que possam ser postos em prática o quanto antes. Um mergulho no interior de cada indivíduo. Uma percepção das riquezas do ser humano. É o que Elenise Evaristo desafia seu leitor a fazer. * Texto escrito por Ana Carla Nunes e Beatriz Badim de Campos



 #Em “Notas sobre a desconstrução do  Popular ” o teórico cultural Stuart Hall  simplifica e afirma que a cultura popular consiste em todas essas coisas que o povo faz ou fez.#



Como já definiu o professor e escritor Jack Siqueira a “encomendação das almas” já foi tradição, como ainda o é em muitas regiões do interior de Minas Gerais.Segundo o mesmo,  durante a Quaresma, à meia noite de cada dia, alguns homens , cobertos de branco até a cabeça se reuniam na porta da Igreja e de lá saíam em direção ao cemitério rezando e entoando cânticos religiosos ao som da matraca...
Aqui em Três Corações, deparei-me  a encomendação das almas, ou melhor, mais conhecida por estes cantos como Procissão das Almas,  anos atrás. Havia ouvido falar e finalmente tive a oportunidade de participar através de referências e conhecidos.A procissão pede, se possível, uma vestimenta branca, os rezadores vão na frente com uma cruz e ao som cansado da matraca.A mulher principal usa também um véu branco na face. Os outros acompanhantes vão atrás. Saem três vezes por semana, e cada dia percorrem um bairro. Reza a tradição que não se deve olhar para trás, correndo o risco de deparar com as almas encomendadas no cemitério  na quarta-feira de cinzas e somente entregues na sexta-feira da paixão após dias de cânticos e orações em suas intenções. Ainda segundo a tradição os números de casas participantes por bairros devem ser ímpares. Algumas casas oferecem o cafezinho após a reza, já deixam a mesa posta, afinal, dizem os conhecedores do assunto , não devem sair de casa sem devida permissão dos oradores. É assim que participei da solenidade . Solenidade em oração, cantos lamuriosos e respeito aos antepassados e linda como manifestação  da cultura popular.
Mas vamos sair da introdução... Como Minas é encantada por causos, não poderia deixar de relatar aqui dois fatos que presenciei e que aconteceram na citada procissão: Primeiro -quarta-feira de cinzas, segundo ano que participei da procissão. Fui com os rezadores “encomendar” as almas no portão do Cemitério municipal. Vestida a caráter, com uma peça branca,acompanhei o evento pelas ruas do Bairro Boa Ventura. Tudo ocorreu bem na primeira casa, a oração com os tristes cantos foram proclamados e partimos para a segunda casa. Tudo ia bem, eu com meu olhar observador acompanhando a tudo e participando das ave-marias e pai-nossos, quando de repente vi um movimento estranho. Uma senhora sentada, e com a aparência estranha-outrora estava participando da reza de bom grado, e agora ali, sentada- . Pensei que estava passando mal. Mas nada, uma entidade havia tomado o corpo da pobre senhora, e com uma voz de além, clamava por luz.Fiquei assustada, afinal nunca havia visto tal manifestação, Entre rezas e com o crucifixo em punho e  os rezadores rezando e pedindo a penosa alma que subisse, o corpo havia finalmente retornado à dona.
Segundo: Bairro Triângulo, a procissão havia orado em minha casa, obviamente do lado de fora. Servimos o tradicional cafezinho aos participantes, tudo ocorreu bem e a procissão seguiu para a terceira casa após o agradecimento pelo cafezinho e quitutes. Todos  novamente com as vestimentas adequadas.Paramos em frente a fatal casa. A matraca dá o alarme, os rezadores seguem com os cânticos para introduzir as orações. Quando uma senhora grita do lado de dentro, assustada e chorosa. Explico aqui a situação...Quem havia recomendado a procissão fora uma senhora que morava ao fundo da casa da referente assustada. A porta principal da casa do fundo dava para o lado de fora, mas antes tínhamos que atravessar um corredor. Acontece que paramos em frente à porta da casa principal, pensando que a procissão seria ali,afinal ambas mulheres eram parentes ; mas a senhora da casa do fundo esqueceu de comunicar à mulher da frente, e paramos na porta errada, resultando no rolo todo, que depois foi esclarecido não antes de trêmulos  goles de água  para acalmar a assustada senhora . Confusão essa que me rendeu a crônica e no final das contas, um causo que participei.
Gostaria muito de contar mais causos sobre o ato solene em lembrança às almas, eu ia até acompanhar na atual  Quaresma pelo menos um dia, em memória e por gostar da cultura  popular,mas infelizmente fiquei sabendo que a procissão encerrou-se este ano, por falta de membros.
imagem: google


PRÉVIA DO OUTONO



Já sinto o cheiro do Outono...Tenho a sensação de sentir coisas no ar, assim como sinto o cheiro do Natal. Digo isto e todo mundo acha que estou louca, mas como não é possível sentir o cheiro do Natal com as ruas lotadas, o cheiro de carne assada no mercado, o cheiro sensual do Verão em Dezembro, com os canto das maritacas  em agradecimento aos sinos da pequena igreja de São Thomé das Letras. Loucura? Sensação poética ...O Natal tem cheiro, assim como a chuva tem cheiro, o mar tem cheiro, e o Outono tem cheiro...Alguém deve me compreender.Aliás, não queria colocar aqui a palavra, cheiro,preferiria aroma , mas deixo o  verbete cheiro para adentrar na alma .
 O Outono. Sinto as premissas: um ventinho escorregadio pela manhã, o sol mais terno, fazendo um convite para a caminhada, parece que a própria natureza vai entrando num ritmo mais suave,para depois acordar  só na primavera. Não sei se é por gostar tanto dessa estação, o fato é que o outono já está causando a tênue sensação de chegada em mim.
Sou daquelas que amam o Outono. Época de hibernar, e por que não, de em paralelo à mudança da natureza, refletirmos em nossas vidas, despojar para um renascimento interior,assim como as arvores se despojam das folhas, esperando as folhas novas...Mas chega de metafísica, deixo isso para o mestre Alberto Caeiro,um dos (vários) ortônimos de Fernando Pessoa.
No outono  geralmente acontece o equinócio, o fenômeno onde a extensão do dia é igual da noite e os hemisférios Norte e Sul recebem a mesma quantidade de luz. Equinócio – do Latim, aequus (igual) e  nox (noite) significa então  noites iguais. Com o outono o céu começa a escurecer mais cedo, tornando as noites mais longas, próprio para o hiberno do corpo e da alma.
Se para alguns o Outono é cinza, para mim ele tem sempre  o segredo de um poema pronto para ser acabado, escondendo seus mistérios no céu avermelhado  crepuscular ansioso pelo brilho das estrelas .
Outono...Hora de trocar a salada pela sopa fumegante, ir tirando do guarda-roupa o edredom, trocar a alegre cerveja pelo refinado vinho. Chocolate quente, filme, pipoca, amor...  companhias do aconchegante outono.
Como já diria Mário Quintana em seu Hai-kai de outono: Uma borboleta amarela?
Ou uma folha seca
Que se desprendeu e não quis pousar?
Outono, folha seca, pronta para renascer em nossos corações. Pausa das estações no ciclo da vida.

imagem: arquivo pessoal

DEVERIA TER FICADO OU NÃO?


Hoje dia 9 de Janeiro é comemorado o Dia do Fico.D. Pedro I , contrariando as ordens da corte de Lisboa, para retornar à Portugal, resolve ficar no Brasil.O objetivo da elite portuguesa era recolonizar o Brasil. Com o pedido de mais de 8 mil assinaturas, o regente “decidiu ficar”   com a famosa frase: "Se é para o bem de todos e felicidade geral da Nação, estou pronto! Digam ao povo que fico". Que bonzinho foi o príncipe com a nação brasileira que havia deixado finalmente anteriormente  de ser colônia se tornando um Reino Unido .O fato é que tal declaração de certa forma serviu de premissa para a sonhada Independência e outros movimentos políticos que ocorreram depois.
Analisemos o contexto político no desenvolver da História ...A Abolição da Escravatura em Maio do mesmo ano, fato que ficou só no papel e ainda hoje existe o flagelo do preconceito racial causando uma heterogenia social gritante.O movimento da Independência  apesar de nos ter “separado” de Portugal não nos tornou pessoas livres, afinal anos depois a Proclamação da República e ainda  vivemos em um pais onde muitos ainda vivem sobre o pesado cabresto político e com  grandes diferenças sociais.
 Escândalos políticos noticiam diariamente os jornais. Pessoas passam fome enquanto políticos gozam do dinheiro público em hotéis luxuosos rindo da impunidade mantida. É o Brasil onde D. Pedro I “preferiu ficar”.Deveria ter ficado ou não?
Contudo, com todo problema política, tenho orgulho de ser brasileira. E sim, ainda tenho esperança no Brasil.Brasil maravilhoso, de natureza exuberante,repleto de artistas , de cultura ímpar (embora nem todos tenham acesso), de pequenos heróis solidários que fazem toda a diferença. Mesmo sob o pedido de 8 mil assinaturas para ficar, por um ângulo, D. Pedro I fez a escolha certa.
Imagem:google

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LANÇAMENTO DO LIVRO

PRIMEIRO LIVRO DE CRÔNICAS, INTITULADO “RIQUEZAS DO INTERIOR” DA ESCRITORA ELENISE EVARISTO. Este projeto visa divulgar novos nomes e publicações relacionados a Cultura da Cidade de Três Corações, através do lançamento do livro de crônicas “Riquezas do Interior”, da iniciante escritora Elenise Evaristo, contemporânea, mineira, dotada de sensibilidade e cultura e que com estes adjetivos, retrata na sua primeira publicação, embora já tenha sido apresentada ao mundo literário, através da publicação de um artigo, em livro lançado em 2008, intitulado: Quem conta um Conto de Fadas... Uma introdução aos contos de fadas dos Org. Geysa Silva e Luiz Fernando Matos Rocha. INTRODUÇÃO O Estado de Minas famoso por reunir marcas de um passado de riquezas Patrimoniais e Arquitetônicas, trazidas pelo Barroco e Rococó produzidos no século 18, e que garantiu que parte das cidades históricas adquirissem títulos de patrimônio da humanidade por parte dos órgãos responsáveis, possui ainda mais requinte quando se trata do legado da Cultura popular deixada pelos povos mais antigos. A cultura mineira tradicional fértil e diversificada, atravessa tempos e mostra para o Brasil a importância de se abrasileirar ainda mais as nossas tradições !

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Eu,por mim mesma: Virginiana, Terra, Melancólica. Tímida, Dedicada, Ciumenta, Muito Amor: Deus, família, alguém que sabe quem, amigos, Minas Gerais,e Literatura. Impulsiva, Sensível, Aspirante à escritora. Prazer: pôr-do-sol, cheiro de café coado de preferencia no coador de pano, cheiro de terra molhada, cheiro de curral, brincar com meus sobrinhos, comer bolinhos de chuva, ouvir música, assistir filmes, amo momentos simples e extasiantes Amo cozinhar. Adoro Conversar com pessoas e me encontrar nos meus momentos de solidão.

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