AS RIQUEZAS DO INTERIOR

Riquezas do Interior, o livro de estréia da escritora mineira Elenise Evaristo, abre caminhos no cenário literário brasileiro com a telúrica brejeirice de Minas Gerais. É em horinhas de descuido, como diria o também mineiro Guimarães Rosa, que Elenise capta momentos do cotidiano das cidades do interior e, com uma linguagem leve e acessível, convida o leitor a conhecer as riquezas de suas lembranças e de sua terra. Amalgamado ao seu estilo, Elenise utiliza seu repertório de leitora que vai de Drummond a Proust, passando por Machado de Assis e Rachel de Queiroz, para dar forma a sua escrita. Nas 27 crônicas que compõem o livro, a escritora traz à tona a imagem dos contadores de “causos”, a alegria das festas tradicionais, a inata religiosidade do povo de Minas, a singularidade da cultura popular das Gerais e reverencia personalidades marcantes e importantes por sua “mineirice”, como Fernando Sabino e Juscelino Kubitschek. Sob o olhar sensível e aguçado da autora, são resgatados valores humanos que, ao contrário do que se pensa, não ficaram perdidos no tempo, mas adormecidos no íntimo de cada um. Riquezas do Interior é um convite para que esses valores sejam despertados e para que possam ser postos em prática o quanto antes. Um mergulho no interior de cada indivíduo. Uma percepção das riquezas do ser humano. É o que Elenise Evaristo desafia seu leitor a fazer. * Texto escrito por Ana Carla Nunes e Beatriz Badim de Campos

Dentro do processo feminino, o lobo mau remete a questão edípica, surgindo o desejo inconsciente da menina de ser seduzida pelo pai. Se o pai é companheiro de sua mãe, como então ela livra-se da culpa? Surge nesse instante o papel da avó sendo ela agora responsável pela neta. A proteção excessiva em relação à menina, porém não ajudará a menina a resolver seus conflitos. Criasse de repente um jogo ricamente trabalhando em significado. O lobo aparece na figura da vovó. O lobo mau engole a boa avó. O paradoxo entre proteção e ameaça. Porém, o lobo, o desejo desaparecerá e a, velhinha voltará. Chapeuzinho se redime também da culpa em relação à mamãe a atração foi inconsciente e o resultado foi a aprendizagem. “SE NÃO HOUVESSE ALGO EM NÓS QUE APRECIA O LOBO MAU, ELE NÃO TERIA PODER SOBRE NÓS”. (BETTELHEIM, PAG 208-209, 1980).
Essa luta de impulsos em fazer as coisas certas e entrar em crise inconsciente é o que tece todo ocultismo feminino, tornando a personagem uma das mais queridas do mundo dos contos de fadas. A sutileza da sexualidade que nunca é mencionada merecendo uma interpretação mais refinada é a magia existente e apaixonante de Chapeuzinho Vermelho. A beleza da cor vermelha, voltando à sexualidade; o feminino é totalmente presente nesse conto.A capa vermelha a cor da paixão, o caminho da sexualidade, O ritual de iniciação presente na antiguidade, a menina pronta a virar mulher através da cor vermelha da menstruação. Enquanto isso, a avó descansa, ela está velha e não consegue abrir a porta, fato que representa a transferência da sexualidade através de gerações. “DEIXE-ME SOZINHA, VÁ TER COM A VOVÓ QUE É UMA MULHER MADURA, ELA SERÁ CAPAZ DE LIDAR COM O QUE VOCÊ REPRESENTA, EU NÃO SOU”. (BETTELHEIM, PÁG 210, 1980). De frente com o lobo Chapeuzinho toma conhecimento dos quatros sentidos, que irão orientá-la instintivamente pela puberdade. Segundo Fromm, o lobo pode ser comparado ao tempo, Chronos, e foi responsável por destruir a criança e despertar a mulher existente em chapeuzinho. O desabrochar da libido a partir do vermelho, a menstruação, assim ela agora é defrontada pelo problema do sexo.
No final de Chapeuzinho Vermelho surge a figura do caçador que sendo um personagem que aparece num só momento oportuno, foi o salvador da história. O bom pai isenta de aspectos sedutores. O elo da afetividade o equilíbrio familiar. Chapeuzinho pode retornar para casa. É melhor segui os conselhos da mãe, ver primeiramente como comporta o mundo adulto para poder se reintegrar a ele. Surge aí a importância do superego, que juntamente ao id e ego poderão orientar Chapeuzinho nos embates da vida. É o retorno a casa, o caminho foi de aprendizagem, resultado em conhecimento no interior.
Chapeuzinho Vermelho entrou num duelo oferecido pelo lobo. Ele jogou a carta inicial na narrativa quando convenceu a menina a sair do caminho. O texto contido de vozes feminina no começo parece ser superficial, mas vai se tornando interessante no desenrolar da trama como jogo de palavras, que no meio de perguntas e respostas dão o final do enredo. E todo esse esquema feito dentro de uma simbologia sem erros. É o grande jogo da vida. Concordo com Mariza Mendes em busca dos contos perdidos ao afirmar que Chapeuzinho é o texto mais curto, e ao mesmo tempo, o mais denso em impacto emocional. O feminino ali presente contradiz a um masculino universal a que estamos acostumados. A simples menininha aparentemente frágil consegue superar o lobo, mesmo sendo com a ajuda do caçador ela se sobressai no final da história. A força masculina do lobo foi derrotada pelo feminino. No mundo ainda machista em que vivemos Chapeuzinho deve sempre ser lembrada como uma heroína e sua imagem mantidas como uma personagem especial nos contos de fadas; uma menina. Mulher que ousou desafiar o caminho, e superando os obstáculos conseguiu se sobressair.
Hoje, encontramos diversas paráfrases da historinha de Chapeuzinho Vermelho. Cada autor a seu modo foi transferindo através dos tempos sua versão acrescentando ou modificando pequenos fatos, gerando transformações. Muitos contradizem as posições do outro, a respeito de Chapeuzinho, cada um é claro, defendendo sua posição. Mas o que interessa para nós é a força feminina, os textos ao serem reescritos e recontados contêm em si o feminino. A mãe, a avó e a doce criança ameaçadas pelo lobo com certeza permanecerão na imaginação das crianças, jovens e adultos, que num mundo agitado ainda devem encontrar um tempinho para a fantasia, tornando assim a realidade mais amena.
É preciso esclarecer que o protótipo do lobo é interessante à história por ele ser um devorador da natureza, um elemento conhecido dentro da vida dos camponeses da França do século XVIII. Hoje nossa sociedade é repleta de lobos que não cessam de degradar a força feminina, representada aqui pelos mais fracos. O que aguça alguns deles é o dinheiro, o poder. São capazes de fazes uma verdadeira carnificina pelo que querem. Existem ainda os lobos que seduzem pela conversa, coitada das moças que ainda caem na artimanha instintiva desses animais “(...) EMBORA TENHAM OS LENHADORES EXTERMINADO O LOBO NO CURSO DOS ÚLTIMOS DEZ MIL ANOS, NADA TENHA PERDIDO O LOBO DO SEU TERROR PRIMITIVO”.
Todo conto de fada nos traz uma mensagem que implicitamente ou não nos faz refletir sobre determinados aspectos da vida, principalmente nos aspectos psicológicos.
“MUITOS ADULTOS HOJE EM DIA TENDEM A TOMAR LITERALMENTE O QUE É DITO NOS CONTOS DE FADAS, QUANDO ESTES DEVERIAM SER ENCARADOS COMO RELATOS SIMBÓLICOS DE EXPERIÊNCIAS DE VIDA CRUCIAIS. (BETTELHEIM, PSICANÁLISE DOS CONTOS DE FADAS, PAG 215, 1980)”.
Chapeuzinho nos alerta que todos somos capazes de uma vida sublime, se dominadas as forças instintivas. Fugir dos problemas é a solução errada. Temos de concordar que se ela não tivesse saído do caminho, não teria o conhecimento de mundo com todos os seus perigos. Saber dosar os impulsos é a chave certa para o nosso equilíbrio, afinal um pouco de rebeldia é necessária.
Nos contos temos a oportunidade de sonhar com um mundo encantado. Quando se narra um conto e se fala o “Era uma vez...” a criança se transporta para um tempo especial, onde elementos aparecem para ajudar o herói. No caso de Chapeuzinho quem aparece para ajudar é um bom caçador. Isso nos leva a refletir que sempre há em nosso caminho pessoas, oportunidades que nos farão crescer sempre mais com o apoio que recebermos. No final das contas, sempre haverá uma mãe uma avó a quem retornar.




Falar sobre o feminino nos contos de fadas é uma tarefa complexa, devido à força da mulher na trajetória da oralidade. Sempre o papel da tagarelice coube à mulher, desde os primórdios. Através de sua língua foi sentenciado o pecado original, no momento em que Eva incentivou Adão a comer a maçã, episódio bíblico que marca a história da humanidade.
Com o passar do tempo, a boa avó assumiu o papel da mulher tagarela, inspirada na imagem de Santa Ana. Ela era o refúgio, a acolhida ao redor do fogo, o aconchego em ouvir histórias despertando a curiosidade não só em crianças, mas também da elite da época. O papel dos contos antes mantido pelas amas faladeiras conquista agora em pleno século XVII os requintados salões. Mesmo sendo criticados por alguns, considerando-os, medíocres, os contos acabam ganhando prestígio por aqueles que entendiam seu significado e beleza.
E assim eles permaneceram até os dias de hoje, atravessando gerações em muitas versões, mas dentro de uma só base, tornando-se imortais através de escritos e principalmente pela oralidade.
Em meio a tantos contos, início dessa forma uma análise sobre chapeuzinho vermelho em algumas versões enfatizando o simbolismo existente na historinha da bela menininha, que ainda encanta a todos.
Antes de qualquer coisa, uso como referência a parábola do Filho Pródigo, em Lucas capítulo 15, versículo 11 a 32. Parábola onde um filho depois de sair de casa e gastar toda sua herança, reconhece, através da perda de seus bens materiais que perderá também todo seu valor interior. Foi preciso que ele passasse por provações no mundo lá fora para que resgatasse seus valores, o que geralmente acontece com as personagens dos contos de fada. Antes de realizarem seus objetivos, é preciso que passem por vários obstáculos, atingindo no final a vitória.
Tomei desta parábola para falar da desobediência, o início da trajetória de Chapeuzinho Vermelho, segundo as versões mais citadas. Ao contrário do conto de Perrault, onde ninguém adverte Chapeuzinho ao se desviar do caminho, sendo sua versão ,infelizmente, somente de significado moral, onde a menina acaba sendo desvalorizada pela sua inocência. As outras histórias começam com a mãe advertindo Chapeuzinho a não se desviar do caminho. Chapeuzinho não por maldade, mas instintivamente desobedece.


Em uma versão remota, Capinha Vermelha come a carne da avó e bebe seu sangue, apesar de vozes advertirem na a não fazer uso. Ela comete o ato do canibalismo sem saber que estava comendo e bebendo dos restos de sua querida avozinha. É o sentido da desobediência, excitante em todos nós. A eterna formação de um ideal de Ego em oposição ao Id. O ego tenta advertira menina através da consciência, mas o impulso é maior, e ela cede sem pensar nas conseqüências.
Através da desobediência, Chapeuzinho cruzou o caminho desconhecido, a adolescente se depara coma realidade, mas ainda permanece o receio de menina. A força feminina representada pela mãe, e que a havia alertado sobre os perigos do caminho não pode ajudá-la, a floresta é voraz, o teto da casinha confortável não vai protegê-la para sempre. Para aprender é necessário ser persistente, ousar experimentar, saindo da estrada afora, desviando do caminho certo “CHAPEUZINHO VERMELHO ABRA BEM OS OLHOS. VEJA QUE FLORES LINDAS... PORQUE VOCÊ NÃO PRESTA ATENÇÃO NAS COISAS QUE ESTÃO EM VOLTA DE VOCÊ”. Liberta-se, porém para o mundo é difícil, cortar o cordão umbilical é doloroso. É necessário ter muita força interior.


Numa das versões dos irmãos Grimm, o caminho da desobediência ressalta no fato dela ser devorada pelo lobo. Chapeuzinho não se entrega facilmente ao lobo, que é toda sedução, suas perguntas despertam a curiosidade em relação ao uso, não o ato em si. O momento em que fica na barriga do lobo foi um breve momento de sono, onde adquire consciência própria de suas ações. Dali surgiria uma nova menina, livre de conceitos pueris.

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PRIMEIRO LIVRO DE CRÔNICAS, INTITULADO “RIQUEZAS DO INTERIOR” DA ESCRITORA ELENISE EVARISTO. Este projeto visa divulgar novos nomes e publicações relacionados a Cultura da Cidade de Três Corações, através do lançamento do livro de crônicas “Riquezas do Interior”, da iniciante escritora Elenise Evaristo, contemporânea, mineira, dotada de sensibilidade e cultura e que com estes adjetivos, retrata na sua primeira publicação, embora já tenha sido apresentada ao mundo literário, através da publicação de um artigo, em livro lançado em 2008, intitulado: Quem conta um Conto de Fadas... Uma introdução aos contos de fadas dos Org. Geysa Silva e Luiz Fernando Matos Rocha. INTRODUÇÃO O Estado de Minas famoso por reunir marcas de um passado de riquezas Patrimoniais e Arquitetônicas, trazidas pelo Barroco e Rococó produzidos no século 18, e que garantiu que parte das cidades históricas adquirissem títulos de patrimônio da humanidade por parte dos órgãos responsáveis, possui ainda mais requinte quando se trata do legado da Cultura popular deixada pelos povos mais antigos. A cultura mineira tradicional fértil e diversificada, atravessa tempos e mostra para o Brasil a importância de se abrasileirar ainda mais as nossas tradições !

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