AS RIQUEZAS DO INTERIOR

Riquezas do Interior, o livro de estréia da escritora mineira Elenise Evaristo, abre caminhos no cenário literário brasileiro com a telúrica brejeirice de Minas Gerais. É em horinhas de descuido, como diria o também mineiro Guimarães Rosa, que Elenise capta momentos do cotidiano das cidades do interior e, com uma linguagem leve e acessível, convida o leitor a conhecer as riquezas de suas lembranças e de sua terra. Amalgamado ao seu estilo, Elenise utiliza seu repertório de leitora que vai de Drummond a Proust, passando por Machado de Assis e Rachel de Queiroz, para dar forma a sua escrita. Nas 27 crônicas que compõem o livro, a escritora traz à tona a imagem dos contadores de “causos”, a alegria das festas tradicionais, a inata religiosidade do povo de Minas, a singularidade da cultura popular das Gerais e reverencia personalidades marcantes e importantes por sua “mineirice”, como Fernando Sabino e Juscelino Kubitschek. Sob o olhar sensível e aguçado da autora, são resgatados valores humanos que, ao contrário do que se pensa, não ficaram perdidos no tempo, mas adormecidos no íntimo de cada um. Riquezas do Interior é um convite para que esses valores sejam despertados e para que possam ser postos em prática o quanto antes. Um mergulho no interior de cada indivíduo. Uma percepção das riquezas do ser humano. É o que Elenise Evaristo desafia seu leitor a fazer. * Texto escrito por Ana Carla Nunes e Beatriz Badim de Campos

A CRÔNICA NOSSA DE CADA DIA

João do Rio

                                  Crônica.  Palavra de origem grega(Kronos-tempo), derivando ao latim chronica.Significa relato objetivo de acontecimentos dentro de uma trajetória no tempo.Croniqueiro e cronista era a pessoa que escrevia crônicas. No século XIX, as crônicas podiam ser chamadas de folhetins, colocadas na maioria em rodapés dos jornais. Depois foi reconhecido o termo crônica, tratando o folhetim somente  para designar a parte onde as crônicas e outras formas literárias eram escritas.A crônica, voltada à imprensa,  surgiu pela primeira  vez no ano de 1.799, no Journal de Débats,publicado em Paris, comentando de forma crítica os acontecimentos importantes da semana. Tinha total aspecto histórico, trazendo informações importantes ao leitor.
No Brasil eu poderia começar pela carta de Pero Vaz de Caminha, onde estudiosos dizem se tratar na integra da primeira crônica brasileira, devido ao seu perfeito relato do contato com nosso irmão índio....Mas ai entra outra questão ainda muito discutida pelos críticos - se o  que escreviam os europeus pode ser considerado nossa Literatura Brasileira -, mas isso é bom para discutir numa aula de Teoria da Literatura, não aqui. Apenas uma breve introdução.
Confesso que outrora era fissurada por contos, tomava doses de Lygia Fagundes Telles, Dalton Trevisan, os contos fantásticos de Murilo Rubião... Lia e escrevia contos. Aliás, gosto ainda de escrevê-los tenho alguns e pretendo futuramente publicar.Comecei a gostar de crônica profundamente no final do Ensino Fundamental, e depois ela se apossou de mim, de tal forma que não pude escapar.
Hoje, não existe gênero mais brasileiro que a crônica, seja ela esportiva, lírica, humorística ou em  outras facetas... Machado de Assis, José de Alencar, João do Rio,retrataram  tão bem nossa sociedade através do gostinho da crônica...Rubem Braga, o sabiá das crônicas, o lirismo de Fernando Sabino, o humor crítico de Stanislaw Ponte Preta, a metáfora de Rubem Alves, a tão bem observada alma humana nos textos de Carlos Herculano Lopes, enfim, são  tantos para citar, e cada um com sua peculiaridade dentro da crônica, merecendo  páginas inteiras na  exploração de suas obras.
Carlos Herculano Lopes
Só para se ter uma exemplificação da transformação de um fato do cotidiano, a notícia de um jornal pelo refinar da crônica( a evidência do lirismo  através do gênero), pego aqui um trecho de Jorge de Sá, no livro : A crônica ( que indico para os apaixonados pelo assunto),onde cita uma  notícia nua e crua e depois  através dos dizeres  do cronista Stanislaw Ponte Preta. Primeiro, na visão de um  jornalista: “ João José Gualberto, vulgo ‘Sorriso’, foi preso na madrugada de ontem , no Beco da Felicidade, por ter assaltado a Casa Garson, de onde roubara um lote de discos”Agora na visão do adorável e irresistível cronista Sérgio Porto na pele de Stanislaw Ponte Preta: “ O Sorriso roubou a música e acabou preso no Beco da Felicidade”.
Entenderam?Bom, realmente acho que não preciso dizer mais nada, eis a função da crônica!

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A BANALIZAÇÃO DO AMOR

Recentemente assisti ao filme: Como você sabe, que na íntegra fala  sobre como saber quando uma amizade está partindo para o amor.Bom o filme, para aqueles que assim como eu, não dispensam um filme romântico desde o mais “mamão com mel” até o mais dramático.
Mas meu objetivo aqui não é falar sobre o referido filme, aliás, o referido me fez uma alusão  para  escrever esta crônica.O eterno tema:o amor.Me veio a mente a banalidade que o amor sofre nos dias atuais.
O filme...como saber quando uma  amizade vira amor?Bom, na concepção que vejo, cada vez mais o amor vem sendo separado de seu real significado. É surpreendente como as pessoas trocam de amor como se troca de roupa. Se no Romantismo se morria de amor, no presente o conceito de amor para alguns chega a ser frustrante. Começo pelas redes sociais. Salas virtuais onde o amor pode ser concebido como verdadeiro ato poligâmico. Quem tem a melhor prosa sai ganhando. Parto para o encontro formal, onde um tênue descontentamento no outro acaba por afastar o casal,afinal assim é mais fácil.Conquistar leva tempo e é mais fácil partir para outro relacionamento do que realmente conhecer no seu sentido amplo; e assim se vai  levando os relacionamentos, que podem durar uma hora, cinco dias...um mês.Se é que é possível essas mudanças repentinas serem chamadas de amor(?).Onde fica Eros e Psiquê nessa história?
Volto ao Romantismo, onde para conquistar a moça, o rapaz passava por etapas homéricas. Cartas escondidas ansiavam pelas mãos da pessoa amada. Havia o sabor da conquista, tempero fundamental  do amor. Hoje, se não gostei da pessoa, posso deletar de minha vida. Deletar...Neologismo frio como se feito para a própria máquina chamada computador, e não somos máquinas.
 Esperar pelo amor, ou se atirar por ai...Amor se cura com outro amor? Clichês pendentes... Depende. Mas sei que não é achado na liquidação de estoque. Pensamento obsoleto o meu? Não acho.Como já diria o poeta:
 Eu possa me dizer do amor (que tive):
          Que não seja imortal, posto que é chama
            Mas que seja infinito enquanto dure.
E  que dure pelo menos mais de um segundo!

imagem:Google

O outono vem vindo

O outono vem vindo.Hoje, primeiro dia da Quaresma, poderia escrever sobre os famosos “causos”, que é muito frequente no interior de Minas;poderia falar sobre o resultado das escolas de Samba, ou mesmo sobre o fim do carnaval, mas não...É que estou com vontade de falar sobre uma das minhas estações preferidas, assim como a primavera, o outono. O outono não chegou ainda, mas já posso sentir suas premissas.
Ainda estamos no horário de verão, o céu hoje está acinzentado, uma chuvinha pachorrenta lá fora. As nuances do outono: uma leve brisa a invadir meu quarto de manhã, tal como uma doce mão a me acordar, mesmo sendo horário de verão, os dias tenho notado, estão mais curtos, escurecendo mais depressa não sem antes o entardecer se tornar digno de uma vermelhidão de Monet que só o outono sabe oferecer.Como diria Fernando Pessoa: Uma névoa de Outono o ar raro vela,
 Cores de meia-cor pairam no céu.
O outono está chegando, o hiberno da alma . As folhas amareladas caem tornando o chão admirável.Acho que no outono também nos despojamos de nossas folhas secas.A relação homem e natureza, que o psicanalista, educador  e cronista Rubem Alves certamente sabe explicar melhor que eu, através de suas metáforas.Segundo os dicionários, Outono é a estação do ano que precede o inverno e e que no hemisfério norte vai de 22 de Setembro a 21 de Dezembro e no hemisfério sul de 21 de Março a 21 de Junho. Definição evasiva. Para mim, o Outono é um poema a ser feito.Esperemos  o outono com ternura.

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LANÇAMENTO DO LIVRO

PRIMEIRO LIVRO DE CRÔNICAS, INTITULADO “RIQUEZAS DO INTERIOR” DA ESCRITORA ELENISE EVARISTO. Este projeto visa divulgar novos nomes e publicações relacionados a Cultura da Cidade de Três Corações, através do lançamento do livro de crônicas “Riquezas do Interior”, da iniciante escritora Elenise Evaristo, contemporânea, mineira, dotada de sensibilidade e cultura e que com estes adjetivos, retrata na sua primeira publicação, embora já tenha sido apresentada ao mundo literário, através da publicação de um artigo, em livro lançado em 2008, intitulado: Quem conta um Conto de Fadas... Uma introdução aos contos de fadas dos Org. Geysa Silva e Luiz Fernando Matos Rocha. INTRODUÇÃO O Estado de Minas famoso por reunir marcas de um passado de riquezas Patrimoniais e Arquitetônicas, trazidas pelo Barroco e Rococó produzidos no século 18, e que garantiu que parte das cidades históricas adquirissem títulos de patrimônio da humanidade por parte dos órgãos responsáveis, possui ainda mais requinte quando se trata do legado da Cultura popular deixada pelos povos mais antigos. A cultura mineira tradicional fértil e diversificada, atravessa tempos e mostra para o Brasil a importância de se abrasileirar ainda mais as nossas tradições !

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Eu,por mim mesma: Virginiana, Terra, Melancólica. Tímida, Dedicada, Ciumenta, Muito Amor: Deus, família, alguém que sabe quem, amigos, Minas Gerais,e Literatura. Impulsiva, Sensível, Aspirante à escritora. Prazer: pôr-do-sol, cheiro de café coado de preferencia no coador de pano, cheiro de terra molhada, cheiro de curral, brincar com meus sobrinhos, comer bolinhos de chuva, ouvir música, assistir filmes, amo momentos simples e extasiantes Amo cozinhar. Adoro Conversar com pessoas e me encontrar nos meus momentos de solidão.

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