Como tinha de entregar um livro na Biblioteca amanhã, resolvi ir hoje mesmo. A tênue chuva que insiste até agora em cair não me impediu de sair.com a sombrinha nas mãos, lá fui eu.Caminhar nestes instantes faz bem.

Passando pela praça Central, em frente ao coreto, deparei com uma amiga que fez o Curso de Letras comigo,ela, já casada, começa a falar de sua vida conjugal, de seu filhinho, uma verdadeira comédia, que me faz distrair.Nós duas em baixa de nossas digníssimas sobrinhas, em frente ao coreto,o pessoal passando, e nós ali, entretidas.
Sigo, entrego meu livro, que não terminei de ler, ainda tenho alguns em casa, que trouxe de Salvador, mas ir na Biblioteca pegar livro pra mim é um verdadeiro ritual.Depois passo pela Matriz Sagrada Família, entro, colocaram ali na frente do altar principal a imagem da nossa senhora, a Conceição, ela com suas mãos maternais abertas, sinto ternura em seus olhos.
Passo pelo mercado, pra levar o sagrado pão da tarde, que, junto com a manteiguinha, não tem nada melhor. A fila está enorme, pessoas reclamam. Quanto a mim, observo. Noto que uma caixa gordinha, com grandes olhos verdes, e pincelados com sombra, vai atendendo a todos da minha fila com um boa tarde radiante, e um sorriso verdadeiro. Enquanto todos reclamam na torturante fila, ela exerce seu ofício com alegria;impossível não sair dali, se sentindo melhor com seu doce atendimento.
Chego em casa, Sofia, minha sobrinha, esta com uma amiguinha, ofereço a ela um Nescau quentinho , esta um dia meio frio. Fico ali, com as duas sentadas em volta da mesa, contando suas vidas pueris, e sem querer, a menina derruba o chocolate na mesa. Chora, eu digo que não há problema, isto pode acontecer. A pobrezinha se recompõe (será que seus pais a reprimem por um ato tão normal? Fiquei pensando...).Isto pode acontecer!
Finalzinho de tarde, já quase noite, ainda estou meio ainda chateada, mas não como antes. Como cenas podem mudar o dia da gente, coisas singelas. Gosto muito do cronista Rubem Alves, que vê prazer nas pequenas coisas. E outros já dizem, a felicidade começa de fora para dentro. É um clichê, eu sei. Mas simples comportamentos e contemplação dos acontecimentos mudaram meu dia, me fazendo escrever mais uma crônica. E se escrevi, é sinal de que acendeu em mim uma flama de felicidade.









