AS RIQUEZAS DO INTERIOR

Riquezas do Interior, o livro de estréia da escritora mineira Elenise Evaristo, abre caminhos no cenário literário brasileiro com a telúrica brejeirice de Minas Gerais. É em horinhas de descuido, como diria o também mineiro Guimarães Rosa, que Elenise capta momentos do cotidiano das cidades do interior e, com uma linguagem leve e acessível, convida o leitor a conhecer as riquezas de suas lembranças e de sua terra. Amalgamado ao seu estilo, Elenise utiliza seu repertório de leitora que vai de Drummond a Proust, passando por Machado de Assis e Rachel de Queiroz, para dar forma a sua escrita. Nas 27 crônicas que compõem o livro, a escritora traz à tona a imagem dos contadores de “causos”, a alegria das festas tradicionais, a inata religiosidade do povo de Minas, a singularidade da cultura popular das Gerais e reverencia personalidades marcantes e importantes por sua “mineirice”, como Fernando Sabino e Juscelino Kubitschek. Sob o olhar sensível e aguçado da autora, são resgatados valores humanos que, ao contrário do que se pensa, não ficaram perdidos no tempo, mas adormecidos no íntimo de cada um. Riquezas do Interior é um convite para que esses valores sejam despertados e para que possam ser postos em prática o quanto antes. Um mergulho no interior de cada indivíduo. Uma percepção das riquezas do ser humano. É o que Elenise Evaristo desafia seu leitor a fazer. * Texto escrito por Ana Carla Nunes e Beatriz Badim de Campos

ENCANTO DE OUTONO

O outono segundo as previsões começou  hoje por volta das 2 horas e 11 minutos. Não me importo em saber  o horário exato,são dados meramente informativos,  o que importa é que ele chegou com suas cores e junto com as tênue chuvinha de Março, que afinal não faz mal a ninguém. Já escrevi muito sobre o outono, minha estação preferida, temo ficar repetitiva, mas o que é a escrita  além da constante  intertextualidade?Eu simplesmente  não poderia deixar  de contemplar este dia.
Aqui em Três Corações , quando tenho oportunidade de caminhar  pelo Bairro Atalaia(que já é lindo e misterioso por si só), entro em catarse  com as tardes outonais, é uma emoção infinita, só vendo para sentir.Uma garça voa sobre o espelho crepuscular do  outono refletido no lago do Clube dos Subtenentes do Exército( lugar esplêndido, onde encerro a caminhada); o ocaso  digno da metafísica de Fernando Pessoa. A beleza da criação, o sol se pondo amarelo e abóbora, com o céu  avermelhado alinhado com o verde vida das árvores locais.Algumas folhas permanecem vivas, outras se despojam de seus galhos, como um tapete amarelo para flutuar o calmo  vento do Outono.Como já diria Quintana, em seu haicai sobre o outono:
Uma borboleta amarela?
Ou uma folha seca
Que se desprendeu e não quis pousar?
Outono, até as pessoas ficam com mais charmosas, roupas elegantes contrastando  com o delicioso clima sedutor do verão.Cada estação com sua particularidade, mas ainda prefiro o Outono. Até os dias cinzentos ficam  bonitos devido à estação, e olha que detesto a cor cinza, acho sem vida, mas no outono tudo é diferente.Quitutes deliciosos são dignos do sabor  outoniço: o famoso bolinho de chuva, biscoito de polvilho frito, além do sagrado  pão de queijo quentinho com o cafezinho coado na hora, de preferência no coador de pano; pratos fumegantes como a canjiquinha bem recheada, já aquecendo para os pratos do inverno. Depois é  só tomar cuidado com a balança.Outono combina com cobertor que  rima com amor.
Estação do aconchego. Outono, suave repouso, época de paz, hiberno da alma, para que despojados e descansados, sigamos o ciclo no jardim chamado vida.


          Dia 14 de Março.Dia do nascimento do poeta dos escravos, Castro Alves,e por conseguinte  é o dia Nacional  da Poesia, mas afinal, o que é a poesia?Há diferença entre o poema e a poesia .Poesia corresponde ao instante em que se encontra o autor, o transe poético,  e a poesia é o resultado deste instante.. Poema, métrica, rima, antes o que dava perfeição aos poemas era a forma. Depois versos livres, versos brancos, pois  afinal além da forma é preciso sobretudo ter alma para a verdadeira poesia...

Com respeito em especial ao parnasianos ,não que eu seja contra a forma, mas antes da forma, a sensibilidade.... Versos decassílabos, sonetos, haicais... Várias manifestações poéticas além da sutil prosa poética.Poderia falar aqui sobre a história do poema,explanar o tema, mas não.A existência do poema em si basta.
Fazer poema dói, é preciso ter cuidado, é preciso que o leitor absorva o sentimento do autor, por isso é difícil. Difícil e complicado, porém  hoje qualquer um afinal, se diz poeta...
O verdadeiro poema é sentido, não lido.Gostaria deste instante de fazer um poema mísero que fosse para louvar o dia,  mas infelizmente a epifânia poética  não se encontra comigo neste instante. Aliás, hoje estou realmente sem inspiração, escrevendo essas ínfimas linhas. Não vejo outra saída, a não ser fechar o texto  com os versos do poeta, que melhor  define a hora instante.
Homenagem ao ato da poesia, e também aos efêmeros momentos de expiração, que acometem os poetas e a todos os escritores, afinal escrever é humano. Versos mais lindos sobre o instante da criação( ou a falta dele), do poeta itabirano Drummond.

Gastei uma hora pensando um verso
que a pena não quer escrever.
No entanto ele está cá dentro
inquieto, vivo.
Ele está cá dentro
e não quer sair.
Mas a poesia deste momento
inunda minha vida inteira.


Parabéns aos poetas e também aos que fazem da vida a eterna poesia!


imagens:google

A CRÔNICA NOSSA DE CADA DIA

João do Rio

                                  Crônica.  Palavra de origem grega(Kronos-tempo), derivando ao latim chronica.Significa relato objetivo de acontecimentos dentro de uma trajetória no tempo.Croniqueiro e cronista era a pessoa que escrevia crônicas. No século XIX, as crônicas podiam ser chamadas de folhetins, colocadas na maioria em rodapés dos jornais. Depois foi reconhecido o termo crônica, tratando o folhetim somente  para designar a parte onde as crônicas e outras formas literárias eram escritas.A crônica, voltada à imprensa,  surgiu pela primeira  vez no ano de 1.799, no Journal de Débats,publicado em Paris, comentando de forma crítica os acontecimentos importantes da semana. Tinha total aspecto histórico, trazendo informações importantes ao leitor.
No Brasil eu poderia começar pela carta de Pero Vaz de Caminha, onde estudiosos dizem se tratar na integra da primeira crônica brasileira, devido ao seu perfeito relato do contato com nosso irmão índio....Mas ai entra outra questão ainda muito discutida pelos críticos - se o  que escreviam os europeus pode ser considerado nossa Literatura Brasileira -, mas isso é bom para discutir numa aula de Teoria da Literatura, não aqui. Apenas uma breve introdução.
Confesso que outrora era fissurada por contos, tomava doses de Lygia Fagundes Telles, Dalton Trevisan, os contos fantásticos de Murilo Rubião... Lia e escrevia contos. Aliás, gosto ainda de escrevê-los tenho alguns e pretendo futuramente publicar.Comecei a gostar de crônica profundamente no final do Ensino Fundamental, e depois ela se apossou de mim, de tal forma que não pude escapar.
Hoje, não existe gênero mais brasileiro que a crônica, seja ela esportiva, lírica, humorística ou em  outras facetas... Machado de Assis, José de Alencar, João do Rio,retrataram  tão bem nossa sociedade através do gostinho da crônica...Rubem Braga, o sabiá das crônicas, o lirismo de Fernando Sabino, o humor crítico de Stanislaw Ponte Preta, a metáfora de Rubem Alves, a tão bem observada alma humana nos textos de Carlos Herculano Lopes, enfim, são  tantos para citar, e cada um com sua peculiaridade dentro da crônica, merecendo  páginas inteiras na  exploração de suas obras.
Carlos Herculano Lopes
Só para se ter uma exemplificação da transformação de um fato do cotidiano, a notícia de um jornal pelo refinar da crônica( a evidência do lirismo  através do gênero), pego aqui um trecho de Jorge de Sá, no livro : A crônica ( que indico para os apaixonados pelo assunto),onde cita uma  notícia nua e crua e depois  através dos dizeres  do cronista Stanislaw Ponte Preta. Primeiro, na visão de um  jornalista: “ João José Gualberto, vulgo ‘Sorriso’, foi preso na madrugada de ontem , no Beco da Felicidade, por ter assaltado a Casa Garson, de onde roubara um lote de discos”Agora na visão do adorável e irresistível cronista Sérgio Porto na pele de Stanislaw Ponte Preta: “ O Sorriso roubou a música e acabou preso no Beco da Felicidade”.
Entenderam?Bom, realmente acho que não preciso dizer mais nada, eis a função da crônica!

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PRIMEIRO LIVRO DE CRÔNICAS, INTITULADO “RIQUEZAS DO INTERIOR” DA ESCRITORA ELENISE EVARISTO. Este projeto visa divulgar novos nomes e publicações relacionados a Cultura da Cidade de Três Corações, através do lançamento do livro de crônicas “Riquezas do Interior”, da iniciante escritora Elenise Evaristo, contemporânea, mineira, dotada de sensibilidade e cultura e que com estes adjetivos, retrata na sua primeira publicação, embora já tenha sido apresentada ao mundo literário, através da publicação de um artigo, em livro lançado em 2008, intitulado: Quem conta um Conto de Fadas... Uma introdução aos contos de fadas dos Org. Geysa Silva e Luiz Fernando Matos Rocha. INTRODUÇÃO O Estado de Minas famoso por reunir marcas de um passado de riquezas Patrimoniais e Arquitetônicas, trazidas pelo Barroco e Rococó produzidos no século 18, e que garantiu que parte das cidades históricas adquirissem títulos de patrimônio da humanidade por parte dos órgãos responsáveis, possui ainda mais requinte quando se trata do legado da Cultura popular deixada pelos povos mais antigos. A cultura mineira tradicional fértil e diversificada, atravessa tempos e mostra para o Brasil a importância de se abrasileirar ainda mais as nossas tradições !

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Eu,por mim mesma: Virginiana, Terra, Melancólica. Tímida, Dedicada, Ciumenta, Muito Amor: Deus, família, alguém que sabe quem, amigos, Minas Gerais,e Literatura. Impulsiva, Sensível, Aspirante à escritora. Prazer: pôr-do-sol, cheiro de café coado de preferencia no coador de pano, cheiro de terra molhada, cheiro de curral, brincar com meus sobrinhos, comer bolinhos de chuva, ouvir música, assistir filmes, amo momentos simples e extasiantes Amo cozinhar. Adoro Conversar com pessoas e me encontrar nos meus momentos de solidão.

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