AS RIQUEZAS DO INTERIOR

Riquezas do Interior, o livro de estréia da escritora mineira Elenise Evaristo, abre caminhos no cenário literário brasileiro com a telúrica brejeirice de Minas Gerais. É em horinhas de descuido, como diria o também mineiro Guimarães Rosa, que Elenise capta momentos do cotidiano das cidades do interior e, com uma linguagem leve e acessível, convida o leitor a conhecer as riquezas de suas lembranças e de sua terra. Amalgamado ao seu estilo, Elenise utiliza seu repertório de leitora que vai de Drummond a Proust, passando por Machado de Assis e Rachel de Queiroz, para dar forma a sua escrita. Nas 27 crônicas que compõem o livro, a escritora traz à tona a imagem dos contadores de “causos”, a alegria das festas tradicionais, a inata religiosidade do povo de Minas, a singularidade da cultura popular das Gerais e reverencia personalidades marcantes e importantes por sua “mineirice”, como Fernando Sabino e Juscelino Kubitschek. Sob o olhar sensível e aguçado da autora, são resgatados valores humanos que, ao contrário do que se pensa, não ficaram perdidos no tempo, mas adormecidos no íntimo de cada um. Riquezas do Interior é um convite para que esses valores sejam despertados e para que possam ser postos em prática o quanto antes. Um mergulho no interior de cada indivíduo. Uma percepção das riquezas do ser humano. É o que Elenise Evaristo desafia seu leitor a fazer. * Texto escrito por Ana Carla Nunes e Beatriz Badim de Campos

OS MEUS MORTOS

Sempre que vai chegando o dia 2 de Novembro, dia das Almas, começo a ficar reflexiva, fico pensando muito em meus mortos,questão que me faz sentir injustiçada, pois perdi entes queridos muito cedo.Primeiro, queria ter conhecido meus avós;o único que conheci foi meu avô paterno, José Evaristo, que faleceu quando eu tinha 5 anos, dele tenho algumas poucas lembranças, quando vinha da cidade de Conceição do Rio Verde, com um impecável terno marrom, para receber dignamente seu salário de aposentado, aqui na cidade de Três Corações. Era um velhinho com cara de bonzinho, que infelizmente partiu logo, me deixando algumas ínfimas reminiscências.

Meus pais perdi-os na adolescência, fato lamentável, perdas que não convém esmiuçar, só quem já passou por isto sabe como é triste, e confesso, custei para assimilar... Por que eu? Bom, o que importa, como digo, foi o exemplo de vida que foram, e fazer o que...? São coisas da vida... Neste ínterim, perdi muitos outros entes queridos, e por mais que a morte seja um processo que aconteça a todos, não adianta explicações, cada vida querida que parte é uma dor inenarrável, um vazio inexplicável.

Cada pessoa querida que sobe o morre(digo subir o morro, porque o cemitério principal da cidade, São João Batista, fica no alto da cidade) é uma perda da sua história que se vai, que ficam eternizados na memória, nas fotografias e no recôndito do coração, pasmem!

Hoje estou acometida de uma melancolia , normal neste dia .Daqui a pouco vou subir o morro para visitar meus mortos, levarei algumas flores, como é de costume.Aos “vivos”, aproveitem a vida o mais que puderem, e principalmente , não morram em vida.

Imagem:Pintura de Salvador Dali-Google

Carta e Amizade

Estou lendo um que trata cartas de Fernando Sabino e Clarice Lispector, intitulado Cartas perto do Coração. O livro trata de missivas entre os dois grandes escritores, onde trocavam idéias sobre a vida profissional e pessoal, em detalhes dignos de realmente serem publicados, tamanha riqueza e beleza.

Vale a pena ler, sobretudo para conhecer um pouquinho da vida desses grandes escritores. Deparamos com um lado bastante profundo no modo de pensar, como só Clarice sabia manifestar em sua plenitude. Ela, complexa como só, envolta em seus pensamentos, como relata em trecho a Fernando Sabino: Esperando também que você não ria das tolas e inúteis complicações de sua amiga. Por outro lado, Fernando Sabino, considerado como espirituoso, também fala de momentos de estranha solidão que acometia por vezes o autor.

Carta e Amizade. Palavras arcaicas no dia de hoje. Foi-se o tempo das longas missivas, trocadas atualmente por rápidas palavras no e-mail. Ah, é tão saboroso ler uma carta, carregar uma carta repleta de ternura. Em sua crônica: Elogio da Leveza, Affonso Romano de Sant´anna descreve como era adubada as raízes da amizade no tempo de outrora, onde existiam pessoas leves, o escritor fala, por exemplo,como era a cumplicidade de Vinicius de Moraes, e seu inseparável amigo, Antônio Maria, com passeios noturnos, , conversas em mesas de bares de onde depois saiam textos inéditos.Sem falar nos Quatro Cavaleiros do Apocalipse, Otto Lara Rezende, o próprio Fernando Sabino, Hélio Pelegrino e Paulo Mendes Campos, fraternos amigos e escritores mineiros, que mesmo estando longe se falavam pelas correspondências, puxando uma certa angústia, nos dizeres do eterno menino Sabino.

Cultivar amizade na atualidade pode se restringir para alguns em ínfimos comentários após reuniões, em conversas econômicas após o jantar de um casal amigo. Já diria o principezinho: tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativastes. Cativar leva tempo. Pena o Pequeno Príncipe pertencer a outro planeta, deveria ter ficado mais tempo na Terra, ensinando com suas sábias palavras.

Mas, entre falta de tempo e tudo, sei que existe uma minoria que ainda prefere a troca de correspondências, o saber dedicar-se à amizade; os que preferem a qualidade à quantidade, tornando a vida rica e significativa.




Imagens:http://www.webartigos.com/articles/5483/1/Clarice-Lispector-
http://www.google.com.br/imgres?imgurl=http://www.nosrevista.com.br
imgurl=http://culturadokerniano.files.wordpress.com/2010/06/a20img01.jpg&imgrefurl

A suave primavera

Ela  já chegou, desde o dia 23 de Serembro, tímida e incandescente como ela só. A suave Primavera, Primavera das flores, das aves, do novo. Não escondo que minhas duas estações favoritas são o outono e a Primavera, se no outono época de “dormir”, de recolhimento, a Primavera nos acorda para as cores da vida. Os ipês já se mostram vestidos, o sol começa a mostrar sua sensualidade. Se no outono/inverno é silêncio, a primavera é o murmúrio que antecede o Verão.O próprio nome já contêm toda sua beleza, não é a toa, que se pergunta quantas primaveras a pessoa está fazendo- um novo renascimento.Na primavera, até um pardieiro se torna exuberante entre sob as luzes claras que a estação oferece.



A primavera pode também ocasionar algumas mudanças na maioria das regiões, com relação às chuvas, com as famosas “pancadinhas à tarde, cultivando a terra para o reflorescimento das flores, que esperam ansiosas pela visita dos delicados beija-flores, que em seu vôo, dão aquela paradinha suntuosa que só eles sabem fazer, , tocando afavelmente a alma das flores. Quanto às chuvas, procure experimentar tomar uma destas pancadinhas, voltando aos tempos pueris, faz um bem danado à alma.

Ah, Primavera, saúdo-lhe com as majestosas palavras de Cecília Meireles:" Mas é certo que a primavera chega. É certo que a vida não se esquece, e a terra maternalmente se enfeita para as festas da sua perpetuação(...)Tudo isto para brilhar um instante, apenas, para ser lançado ao vento, — por fidelidade à obscura semente, ao que vem, na rotação da eternidade. Saudemos a primavera, dona da vida — e efêmera."


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LANÇAMENTO DO LIVRO

PRIMEIRO LIVRO DE CRÔNICAS, INTITULADO “RIQUEZAS DO INTERIOR” DA ESCRITORA ELENISE EVARISTO. Este projeto visa divulgar novos nomes e publicações relacionados a Cultura da Cidade de Três Corações, através do lançamento do livro de crônicas “Riquezas do Interior”, da iniciante escritora Elenise Evaristo, contemporânea, mineira, dotada de sensibilidade e cultura e que com estes adjetivos, retrata na sua primeira publicação, embora já tenha sido apresentada ao mundo literário, através da publicação de um artigo, em livro lançado em 2008, intitulado: Quem conta um Conto de Fadas... Uma introdução aos contos de fadas dos Org. Geysa Silva e Luiz Fernando Matos Rocha. INTRODUÇÃO O Estado de Minas famoso por reunir marcas de um passado de riquezas Patrimoniais e Arquitetônicas, trazidas pelo Barroco e Rococó produzidos no século 18, e que garantiu que parte das cidades históricas adquirissem títulos de patrimônio da humanidade por parte dos órgãos responsáveis, possui ainda mais requinte quando se trata do legado da Cultura popular deixada pelos povos mais antigos. A cultura mineira tradicional fértil e diversificada, atravessa tempos e mostra para o Brasil a importância de se abrasileirar ainda mais as nossas tradições !

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Eu,por mim mesma: Virginiana, Terra, Melancólica. Tímida, Dedicada, Ciumenta, Muito Amor: Deus, família, alguém que sabe quem, amigos, Minas Gerais,e Literatura. Impulsiva, Sensível, Aspirante à escritora. Prazer: pôr-do-sol, cheiro de café coado de preferencia no coador de pano, cheiro de terra molhada, cheiro de curral, brincar com meus sobrinhos, comer bolinhos de chuva, ouvir música, assistir filmes, amo momentos simples e extasiantes Amo cozinhar. Adoro Conversar com pessoas e me encontrar nos meus momentos de solidão.

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