AS RIQUEZAS DO INTERIOR

Riquezas do Interior, o livro de estréia da escritora mineira Elenise Evaristo, abre caminhos no cenário literário brasileiro com a telúrica brejeirice de Minas Gerais. É em horinhas de descuido, como diria o também mineiro Guimarães Rosa, que Elenise capta momentos do cotidiano das cidades do interior e, com uma linguagem leve e acessível, convida o leitor a conhecer as riquezas de suas lembranças e de sua terra. Amalgamado ao seu estilo, Elenise utiliza seu repertório de leitora que vai de Drummond a Proust, passando por Machado de Assis e Rachel de Queiroz, para dar forma a sua escrita. Nas 27 crônicas que compõem o livro, a escritora traz à tona a imagem dos contadores de “causos”, a alegria das festas tradicionais, a inata religiosidade do povo de Minas, a singularidade da cultura popular das Gerais e reverencia personalidades marcantes e importantes por sua “mineirice”, como Fernando Sabino e Juscelino Kubitschek. Sob o olhar sensível e aguçado da autora, são resgatados valores humanos que, ao contrário do que se pensa, não ficaram perdidos no tempo, mas adormecidos no íntimo de cada um. Riquezas do Interior é um convite para que esses valores sejam despertados e para que possam ser postos em prática o quanto antes. Um mergulho no interior de cada indivíduo. Uma percepção das riquezas do ser humano. É o que Elenise Evaristo desafia seu leitor a fazer. * Texto escrito por Ana Carla Nunes e Beatriz Badim de Campos

Tempero Especial

Ontem minha sobrinha pediu estava vendo um filminho e pediu para que eu fizesse pipoca para ela. Sofia gosta que somente eu faça a pipoca, pois não deixo ficar os piruás. Além disso, crio uma brincadeira para com ela, digo que faço um pó mágico para temperar as saltitantes pipocas. A danadinha quer que quer saber o que uso, mas não digo. Na verdade, são estes temperos em pó, faço uma verdadeira mistureba. Apesar de toda química encontrada nestes condimentos, uma vez ou outra abuso, esbaldando na tigela da saborosa pipoca. Sempre quando posso me junta à Sofia, nos divertindo com seus filminhos e desenhos , sem deixar de lado , óbvio, nossa sagrada pipoquinha.

A primeira notícia que se tem de Três Corações datam de 1.760, qundo o alferes Tomé Martins , um grande fazendeiro à margem do rio, fez uma capela em homenagem a Jesus, Maria e José.Mas vou citar o que sei de Jacira, Jussara e Moema, as três irmãs deixadas pelos boiadeiros.
Dizem que três boiadeiros do torrão de Goiás, na época ainda de muito ouro nas margens de seus rios, e rico também em criação de gado, vinham pra estes lados em comitiva.Eram muito amigos e de grande confiança do patrão, e lideravam o pessoal. Pernoitavam por essa terrinha das Gerais sob à luz das estrelas,contando suas façanhas que consideravam homéricas.

O TREM

Um dos sons produzidos “artificialmente” que mais me comove é o barulho do trem,realmente, sopita meu coração, assim como o badalar dos sinos nas cidadezinhas do interior.O barulho do trem, tão bem declamado no poema de Manuel Bandeira “ Trem de Ferro”, que, se lido em forma de jogral, faz uma perfeita imitação sonora do barulho do trem, ao ritmo do café com pão, café com pão....Ah! Quem não se alegra ao ouvir os versos escuto o trem a cantar na belíssima composição Toada do grupo Boca Livre?Sem falar do quixotesco Viramundo, o Grande Mentecapto,que, após uma aposta, fez parar o trem que nunca parava em sua cidade, tornando-se um herói, sutileza do bom mineiro. O trem... presente em nossa história, em nossa Literatura.




Depois de um dia estressante, encontro com o velho trem de carga(infelizmente, não  peguei o trem de passageiros aqui em Três Corações( hoje só existem os de carga)cruzando a faixa dos encolarizados motoristas. Eu, ao contrário, paro e tranquila, ouço seu som prosador que remete à infância. “Evém” o trem, máquina produzida pelos homens, hercúleo, constratando com a beleza natural dos ipês amarelos a enfeitar seu caminho.Recordo-me que adorava ir passear perto da antiga Maria Fumaça que existe na estação de Três Corações, infelizmente ali parada, chorando por seus dias gloriosos.




O barulho me lembra chaminé, mato, nascentes límpidas que vi pelos caminhos das passagens entre a cidade de Lavras e a bucólica Minduri; toda entusiasmada, foi a primeira vez que andei de trem, ainda criança.Infelizmente, os trens para passageiros estão se estancando, e pelo jeito, não demora muito, os de carga também nos deixarão a ver navios,deixando somente uma melancólica saudade.


Num texto de Benefredo de Souza, grande pesquisador e escritor tricordiano, comenta sobre o tempo áureo das ferrovias, onde cito em uma parte : “ O que está sendo necessário é arranjar-se um meio de concentrar todos os negócios do Rio Verde. Seria Possível isso? Basta que o imperador queira. Ele, sua corte e sua capital precisavam tanto de nossos bois....Poderia até nos dar estrada de ferro para levar a sua carne , não é? E deu mesmo a MINAS & RIO, aqui chegada e recebida festivamente, com tiros e rojões neste junho de 1884...” Benefredo escreveu isto anos mais tarde, mal sabia ele que os trens já não percorreriam tanto as ferrovias.


O fim de grande parte da ferrovia nacional se destacou ainda mais com a liquidação da Rede Ferroviária Federal Sociedade Anônima RFFSA– triste fato.Efeito da modernização. Bom, mas enquanto temos aqui em Minas a velha Maria Fumaça que liga São João Del Rei a Tiradentes, que espero que nunca cesse, batendo sempre os sinos da esperança.


O barulho do trem, que sobre suas pesadas rodas, pode nos remeter à terra dos sonhos, da inocência, sentimento que as mais belas palavras não conseguem traduzir.

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LANÇAMENTO DO LIVRO

PRIMEIRO LIVRO DE CRÔNICAS, INTITULADO “RIQUEZAS DO INTERIOR” DA ESCRITORA ELENISE EVARISTO. Este projeto visa divulgar novos nomes e publicações relacionados a Cultura da Cidade de Três Corações, através do lançamento do livro de crônicas “Riquezas do Interior”, da iniciante escritora Elenise Evaristo, contemporânea, mineira, dotada de sensibilidade e cultura e que com estes adjetivos, retrata na sua primeira publicação, embora já tenha sido apresentada ao mundo literário, através da publicação de um artigo, em livro lançado em 2008, intitulado: Quem conta um Conto de Fadas... Uma introdução aos contos de fadas dos Org. Geysa Silva e Luiz Fernando Matos Rocha. INTRODUÇÃO O Estado de Minas famoso por reunir marcas de um passado de riquezas Patrimoniais e Arquitetônicas, trazidas pelo Barroco e Rococó produzidos no século 18, e que garantiu que parte das cidades históricas adquirissem títulos de patrimônio da humanidade por parte dos órgãos responsáveis, possui ainda mais requinte quando se trata do legado da Cultura popular deixada pelos povos mais antigos. A cultura mineira tradicional fértil e diversificada, atravessa tempos e mostra para o Brasil a importância de se abrasileirar ainda mais as nossas tradições !

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Eu,por mim mesma: Virginiana, Terra, Melancólica. Tímida, Dedicada, Ciumenta, Muito Amor: Deus, família, alguém que sabe quem, amigos, Minas Gerais,e Literatura. Impulsiva, Sensível, Aspirante à escritora. Prazer: pôr-do-sol, cheiro de café coado de preferencia no coador de pano, cheiro de terra molhada, cheiro de curral, brincar com meus sobrinhos, comer bolinhos de chuva, ouvir música, assistir filmes, amo momentos simples e extasiantes Amo cozinhar. Adoro Conversar com pessoas e me encontrar nos meus momentos de solidão.

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