AS RIQUEZAS DO INTERIOR

Riquezas do Interior, o livro de estréia da escritora mineira Elenise Evaristo, abre caminhos no cenário literário brasileiro com a telúrica brejeirice de Minas Gerais. É em horinhas de descuido, como diria o também mineiro Guimarães Rosa, que Elenise capta momentos do cotidiano das cidades do interior e, com uma linguagem leve e acessível, convida o leitor a conhecer as riquezas de suas lembranças e de sua terra. Amalgamado ao seu estilo, Elenise utiliza seu repertório de leitora que vai de Drummond a Proust, passando por Machado de Assis e Rachel de Queiroz, para dar forma a sua escrita. Nas 27 crônicas que compõem o livro, a escritora traz à tona a imagem dos contadores de “causos”, a alegria das festas tradicionais, a inata religiosidade do povo de Minas, a singularidade da cultura popular das Gerais e reverencia personalidades marcantes e importantes por sua “mineirice”, como Fernando Sabino e Juscelino Kubitschek. Sob o olhar sensível e aguçado da autora, são resgatados valores humanos que, ao contrário do que se pensa, não ficaram perdidos no tempo, mas adormecidos no íntimo de cada um. Riquezas do Interior é um convite para que esses valores sejam despertados e para que possam ser postos em prática o quanto antes. Um mergulho no interior de cada indivíduo. Uma percepção das riquezas do ser humano. É o que Elenise Evaristo desafia seu leitor a fazer. * Texto escrito por Ana Carla Nunes e Beatriz Badim de Campos

MELODIA DO NATAL


              Aqui em casa tem um LP da “ AHarpa e a Cristandade” do músico paraguaio Luis Bordon. O fato é que o tal LP, datado de 1.977 ( nasci a  dois anos depois) pelo  meu saudoso pai está ,meio arranhado, mal dá para ouví-lo. Tentei ainda copiá-lo, mas em vão. O disco me lembra a infância. A pequena sonata que tanto me encantava. Procurei ainda na internet se havia um CD ou algo similar para comprar, li que as músicas foram passadas para CD sim, embora tenha perdido um pouco a originalidade do som, mas enfim, não achei nenhuma loja que o oferecesse. Aliás, se alguém o souber, por favor me avise...
A Harpa e a Cristandade, o natal...Atiço minha memória afetiva. A mesa farta no espaço onde cozinha e copa se fundem mineiramente em um “ trem “ só. A família unida, o cheiro de carne assada que perfumava a cozinha.Na véspera do Natal o sapatinho esperando o presente do Papai Noel na janela, que amanhecia sempre com um presentinho . A àrvore com o pisca-pisca me transportava(como até hoje) para além dos meus pensamentos, devaneio pueril que ainda me persegue.Depois do ritualístico almoço,já de tarde,  lá ia eu com meu pai e minha bonequinha que havia ganhado à missa das 5 horas, enquanto minha mãe ficava em casa com as visitas.Sempre queria que nevasse aqui no Natal, para usar aqueles gorros, fazer bolas de neve;ainda não entendia que nosso clima não me permitiria tal façanha, e olhava a chuva tênue na esperança de um grãozinho branco para completar minha felicidade.
               Do nada, me recordo do conto da escritora Lygia Fagundes Telles, intitulado “Natal na Barca” onde acontece o verdadeiro natal.O conto onde uma narradora em uma barca,acompanhada de uma mulher e seu filho,acredita que a criança está morta no colo da mãe, mas por fim a criança acorda:
 Acordou o dorminhoco! E olha aí, deve estar agora sem nenhuma febre.

 — Acordou?!  Ela sorriu: 
 — Veja...

 O milagre do natal!
Comecei falando do LP, passei pelo meu natal e lembrei-me do conto. Pensamentos sincrônicos que de certa forma acabam fazendo a coerência.Retomo o fio  condutor.Hoje, meus pais são falecidos, minha família ainda se reúne, embora às vezes falte um ou outro, mas a união  do espírito natalino permanece, mesmo que por um telefonema.A àrvore já não é a mesma da infância, mas outra ocupa seu lugar no mesmo canto, ali na sala, junto ao presépio que espera até  amanhã  a imagem do Menino Jesus.
O Natal continua, a mesa continua, os presentes continuam, a união também, só me faltou a doce melodia de “ A Harpa e a Cristandade”.
 Feliz Natal para todos, com as bênçãos do aniversariante, o Menino Deus.

A PRAÇA E OS POMBOS



        Três Corações, Praça Principal Odilon Rezende Andrade. Sempre que posso, me sento num banquinho ali à tarde em dias suaves e coloridos com a cor da Primavera. É sublime  ver a tarde se pondo, com suas luzes claras e avermelhadas.  Pena que poucos têm tempo de apreciar estes transcendentes momentos. Observo que os pombos ficam ali, exibindo seus estupefatos peitos, esperando com graciosidade a pipoca das crianças. Sei que podem causar alguma doença, mas, ali no seu cantinho, como são inocentes!Recordo-me de minha sobrinha Sofia, com seus dois aninhos, correndo ternuramente atrás dos afoitos pombinhos, com a intenção de alimentá-los. Mas os pombos fugiam e depois voltavam timidamente, até que Sofia viu que a melhor solução era tacar a pipoca de longe, onde a avezinha ia buscar sorrateira, na certeza de que ninguém a estava observando em seu território. Tardes graciosas aquelas.
Toda cidade tem sua praça principal, e não pode faltar  o coreto. As atrações são feitas basicamente ali, principalmente em cidadezinhas do interior. Praças possuem um encanto único com cheiro de infância.Recordo aqui  dos dias em que a famosa Velha Guarda de Três Corações ia tocar nas noites, senão me engano, às terças-feiras. Na época eu estudava no velho e saudoso Colégio  Estadual, e sempre que podia cabulava aulas para ouvir o som do afinado samba. Hoje a Velha Guarda já não toca mais nas noites de terças-feiras.
Descendo a memória afetiva, tenho saudades da fonte luminosa, onde fazia questão que meu pai me levasse para apreciá-la, saboreando a  já falada e sagrada pipoquinha, ou deliciando-me com um sorvete. As noites de domingo eram imperdíveis.
Recordações... Comecei falando sobre as tardes na praça, e depois já emendei com a noite... O certo é que Sofia cresceu, está com 12 anos,o samba parou de encantar nossas terças,a fonte luminosa perdeu seu brilho, e os pombos continuam lá, firmes em seu ritual.


Imagem:google

INSÔNIA

            Numa noite de insônia:

São 03:25 da manhã. Estava deitada desde as 01:30, tentando me entregar à suavidade do sono. Não adianta!Sofro de insônia. A insônia pode ser uma boa amiga, não reclamo dela, mas não hoje. Hoje queria me entregar aos prazeres oníricos. Sabe aqueles dias (ou melhor, aquelas noites), onde o melhor é dormir? Pois é, estou me sentindo assim. Já mexi no computador, TV, e tomei um leitinho com açúcar, quem sabe se apelar para o chá de camomila, mas vi que hoje vai ser uma dura noite. Tenho um fiel companheiro, um rádio portátil(confesso que não gosto de foninhos enfiados no ouvido, daí minha preferência retrógrada) onde adoro ouvir noticiários,ou mesmo, qualquer estação que me distraia. Nem o rádio hoje está possibilitando a chegada do sono. Desligo, tento ouvir os barulhos noturnos, amo ouvir as estrelas, como já dizia Olavo Bilac, mas a noite hoje está silenciosa.
O jeito é me levantar, e estou aqui escrevendo na tentativa de dormir. Folheio um dicionário. Cada palavra linda e estranha: blandícia, quem diria que esta palavra significa afago? Outra, tamarutaca: nome comum aos crustáceos da ordem dos Estomatópodes. O que é estomatópode? Pergunta-me o que é estomatópode, ahhh, se não souber procure no dicionário. Só sei que estas duas últimas palavras estão ótimas para se fazer um bom compêndio na área de Biologia.
Estou impaciente, tenho inveja dos que se entregam rápido aos braços de Hipnos, deus do sono, pai de Morfeu. Quando uma pessoa diz cair nos braços de Morfeu, às vezes mal sabem que ele, Morfeu, é na realidade deus dos sonhos, e não do sono. Suave diferença. Confesso que eu também antes não sabia. Mas, repito, quero é me deleitar nos braços de Hipnos.
 Olho o significado da palavra insônia no meu dicionário: falta de sono, dificuldade de dormir, vigília. Ai, pra mim hoje está sendo uma verdadeira tortura, procuro o que fazer, e parece que já fiz tudo... Tiro os óculos, tenho astigmatismo, que segundo o dicionário é:perturbação visual por defeito de curvatura do cristalino.Que explicação mais coesa! Não me sinto com sintomas desta deficiência, mas se meu oftalmologista diz que eu tenho isso, quem sou eu pra contestar? Bom, segundo ele, quem sofre disso, um dos sintomas é que lendo sem os óculos, pode vir um soninho. Tento chamar o sono através dessa constatação de meu médico. Que nada! Fico mais acordada ainda. Lembro que uma vez num livro de Teoria Literária, estudando Freud (o que Freud tem a ver com Literatura? Tudo.) tinha uma parte falando sobre insônia, onde ele fazia uma relação entre a insônia e melancolia, esta última que afetava o superego e ai surgia a falta de sono, algo assim. Que falta do que pensar, consequências (saudades do trema) da bendita insônia.
Folheio um livro de crônicas, antes de terminar esta. Tomo água, dizem que existe a ressaca do sono, será?Apelar para contar carneiros; não, não vai adiantar, é perigoso eu espantar os carneiros e ainda ficar acordada.
Fiquei enrolando para fazer esta crônica, neste ínterim fiz ínfimas coisas, que pareciam longas demais, o tempo não passa... Olho para o relógio, são 04:45, o que me resta fazer além de dizer bom dia àqueles que estão já acordando? Bom dia!

 

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PRIMEIRO LIVRO DE CRÔNICAS, INTITULADO “RIQUEZAS DO INTERIOR” DA ESCRITORA ELENISE EVARISTO. Este projeto visa divulgar novos nomes e publicações relacionados a Cultura da Cidade de Três Corações, através do lançamento do livro de crônicas “Riquezas do Interior”, da iniciante escritora Elenise Evaristo, contemporânea, mineira, dotada de sensibilidade e cultura e que com estes adjetivos, retrata na sua primeira publicação, embora já tenha sido apresentada ao mundo literário, através da publicação de um artigo, em livro lançado em 2008, intitulado: Quem conta um Conto de Fadas... Uma introdução aos contos de fadas dos Org. Geysa Silva e Luiz Fernando Matos Rocha. INTRODUÇÃO O Estado de Minas famoso por reunir marcas de um passado de riquezas Patrimoniais e Arquitetônicas, trazidas pelo Barroco e Rococó produzidos no século 18, e que garantiu que parte das cidades históricas adquirissem títulos de patrimônio da humanidade por parte dos órgãos responsáveis, possui ainda mais requinte quando se trata do legado da Cultura popular deixada pelos povos mais antigos. A cultura mineira tradicional fértil e diversificada, atravessa tempos e mostra para o Brasil a importância de se abrasileirar ainda mais as nossas tradições !

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Eu,por mim mesma: Virginiana, Terra, Melancólica. Tímida, Dedicada, Ciumenta, Muito Amor: Deus, família, alguém que sabe quem, amigos, Minas Gerais,e Literatura. Impulsiva, Sensível, Aspirante à escritora. Prazer: pôr-do-sol, cheiro de café coado de preferencia no coador de pano, cheiro de terra molhada, cheiro de curral, brincar com meus sobrinhos, comer bolinhos de chuva, ouvir música, assistir filmes, amo momentos simples e extasiantes Amo cozinhar. Adoro Conversar com pessoas e me encontrar nos meus momentos de solidão.

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