AS RIQUEZAS DO INTERIOR

Riquezas do Interior, o livro de estréia da escritora mineira Elenise Evaristo, abre caminhos no cenário literário brasileiro com a telúrica brejeirice de Minas Gerais. É em horinhas de descuido, como diria o também mineiro Guimarães Rosa, que Elenise capta momentos do cotidiano das cidades do interior e, com uma linguagem leve e acessível, convida o leitor a conhecer as riquezas de suas lembranças e de sua terra. Amalgamado ao seu estilo, Elenise utiliza seu repertório de leitora que vai de Drummond a Proust, passando por Machado de Assis e Rachel de Queiroz, para dar forma a sua escrita. Nas 27 crônicas que compõem o livro, a escritora traz à tona a imagem dos contadores de “causos”, a alegria das festas tradicionais, a inata religiosidade do povo de Minas, a singularidade da cultura popular das Gerais e reverencia personalidades marcantes e importantes por sua “mineirice”, como Fernando Sabino e Juscelino Kubitschek. Sob o olhar sensível e aguçado da autora, são resgatados valores humanos que, ao contrário do que se pensa, não ficaram perdidos no tempo, mas adormecidos no íntimo de cada um. Riquezas do Interior é um convite para que esses valores sejam despertados e para que possam ser postos em prática o quanto antes. Um mergulho no interior de cada indivíduo. Uma percepção das riquezas do ser humano. É o que Elenise Evaristo desafia seu leitor a fazer. * Texto escrito por Ana Carla Nunes e Beatriz Badim de Campos


Lendo  Sérgio Porto, ou melhor, ele na figura do cronista mundano Stanislaw Ponte Preta é impossível não se render ao humor característico do autor dentro da prosa da crônica.Para começar, vejamos alguns personagens  da linhagem “fina” dos Ponte Preta, segundo o nobre autor:
 - Tia Zulmira-“ex-condessa prussiana, cozinheira da coluna Prestes, mulher que deslumbrou a Europa com sua beleza...”É a macróbia da Boca do Mato, lugar onde reside, prestando  seus sábios conselhos.
-Altamirando-primo de Stanislaw –“ Mirinho nasceu no ano da desgraça de 1926. Aos cinco anos de idade Mirinho conseguiu um fato inédito na vida dos maus caracteres existentes em todo mundo: foi expulso do Jardim da Infância. A professora pegou-o no recreio, falando de São Francisco de Assis. Preguiçoso e explorador , tem certeza de que poupa a humanidade porque poderia explorá-la ainda mais”.Um bom slogan para alguns políticos.
-Rosamundo das Mercês- “ o nome parece escolhido a dedo, pois sua proverbial distração deixa-o sempre à mercê de tudo”. Ficou rico quando arrumou um emprego de vendedor de bilhetes devido a sua distração. Esqueceu de vender os bilhetes e dois deles eram premiados, acabou ficando com eles e entregou o dinheiro  para sua mentora, tia Zulmira.
            Personagens que podem ser  comparados a Macunaíma, o herói “ torto”nacional.Além desses, existem outros personagens caricaturados, através do fabuloso  diálogo do escritor. Basta ler o famoso livro FEBEAPÁ para entender o que estou falando.Criticando as famigeradas  posturas sociais , situações da época que permanecem inabaláveis pelo ângulo irreverente  e ao mesmo tempo, crítico   do autor, que,  que só ele soube tão bem representar, convidando o leitor a refletir a época em que vive.Stanislaw também critica o intelectual tupiniquim . Não é à toa que o autor vive perguntando ao seu suposto revisor, Osvaldo,  sobre as expressões corretas das palavras no conteúdo das frases, ironizando o gramatiqueiro.Através de seu bom humor brasileiro, leviano na sutileza da leveza, soube construir uma linguagem inovadora e cativante.
Encerro com Jorge de Sá , exímio estudioso das crônicas , em definição ao texto de nosso amado escritor Ponte Preta: O humor , portanto, assume a função de recuperar a poesia, confirmando que a crônica e seu contexto jornalístico são uma realização literária sempre.
            Viva  a crônica nossa de cada dia ,em especial hoje ao inesquecível  Stanislaw Ponte Preta.

imagem:google

Referência: Tia Zulmira e Eu
O melhor de Stanislaw Ponte Preta
(Stanislaw Ponte Preta)
A Crônica( Jorge de Sá)

COMIDA E POESIA

Hoje fiz o almoço aqui em casa, quando posso me entrego aos prazeres da cozinha mineira, o prazer de fazer a nossa comida.Cozinhar tem todo um ritual, assim como escrever.Aqui em casa não gostamos do tempero industrializado,salvo quando  se está apressado,  é tudo feito à mão. Começando pelo descascar o alho,o picar a cebola :
...
luminosa redoma
Pétala a pétala
Cresceu a tua formosura
Escamas de cristal te acrescentaram...
Como já escreveu  o poeta chileno em  Ode À Cebola.Pensando bem,  menti, usamos sim algum outro tempero para incrementar, mas não sem antes colocar o  alho, a base do tempero mineiro, bem amassadinho.O refogar do arroz, o cheiro fumegante do tempero, sabor  de contentamento vivo e permanente.Acho que  não existe  prazer maior do que escrever e cozinhar para desligar do mundo e entrar no território mágico do sagrado. Já estou  entrando na metafísica, mas quem escreve é assim mesmo, uma  constante incoerência coerente.
Minha mãe cozinhava exatamente : arroz, feijão-roxinho, molho de batatinhas. Mas cantava. São os versos de Solar,poema de Adélia Prado .Molho de batatinhas...Transe sensorial de refúgio em um lugar recôndito:infância cristalizada.  Mãe,reminiscência da minha. O cheiro do café perfumando a casa quando   o preparava antes de me despertar  para à escola. Antes de me chamar eu já acordava com o saboroso aroma do café, mas não levantava enquanto não vinha ao quarto, dengo pueril. Minha mãe não cantava, mas ouvia todo dia seu sacratíssimo rádio ao preparar o café para tomarmos com o reminiscente pão com manteiga.
Puxa, arrepio... Mas volto à  Adélia Prado.Tem coisa mais terna e singela  do que o molho de batatinhas ?Bom,  gostaria de citar  aqui outros pratos deliciosos da nossa culinária, que nos transportam a um imperturbável sossego, sem desnecessário  uso  de hipérbole,  mas dariam um verdadeiro compêndio. Sei pelo que li, que Adélia Prado gosta dos prazeres da cozinha também, e lógico do bucolismo mineiro, como se pode perceber em Solar e  outros poemas. O poema Roça por exemplo:
 No mesmo prato
o menino, o cachorro e o gato.
Come a infância do mundo.
Cozinha e poema e encanto...Antes de tudo a melhor poesia é ser Minas.

Imagem:google

Encontro-me sozinha em casa. Deixo a luz da copa acesa, me sento no sofá da sala em frente à arvore de Natal. As luzes piscam...Nestes momentos de devaneio, em que me encontro só, aliàs, nestes momentos em que sou minha única companhia ,utilizo para refletir sobre  a vida. Às vezes preciso da solidão, perfeito momento para escutar a alma, reclusa como só eu me encontro.  Recordo e rio de uma amiga que me diz obrigada quando revelo alguma coisa a ela, dizendo que não só compartilhei o segredo comigo mesmo (à respeito de meu senso de silêncio). Entretanto não estou aqui pra falar sobre minha personalidade, mas do momento em que me encontrava metafisicamente perante a àrvore de Natal.
É dia 06 de Janeiro de 2012, estou aqui...(ou melhor, estava ali, já que agora estou escrevendo).Deixo claro que não sou misantrópica, mas curto esses momentos de solidão.É dia 06 de Janeiro, Dia de Santos Reis, os fogos anunciam a chegada dos foliões espalhados pela cidade. A Árvore de Natal ainda está armada aqui em casa, como tradição desarmamos somente após esse dia. 
Do vazio, começo a me recordar de natais passados... Colegas de infância que encontro hoje por acaso, que o tempo encarregou de separar, mantendo somente as fotos por testemunha; amigas que hoje são mães, e que ainda fazem parte do meu ciclo vital, embora o contato seja menor...Amigos que estiveram e estão presentes em todos os momentos da minha vida.Familiares que se foram, que ocuparam a mesa de ceia de minha casa, deixando a eterna saudade...Volto ao Natal, à espera pelo presente, além do saudoso  ato de colocar os sapatos na janela. Sim, já fiz isso, e meu pai não deixava de colocar qualquer coisa que fosse para manter viva a tradição do Papai Noel. O cheiro da carne assando, que minha mãe colocava no forno bem de manhãzinha, enquanto eu ia assistir à missa de Natal das crianças. Sinto um leve marejar nos meus olhos, as luzes da àrvore continuam piscando como a me envolver numa viagem sentimental.Para completar este estado de não sei o  quê, e nem quero definir, ouço as vozes dos foliões que estão em alguma casa cantando a saudação ao menino Deus.Tradição popular e de fé que se perpetuam.
Olho para o presépio. O Menino está ali em sua choupana, colocado no dia 25 de Dezembro, enquanto os Três Reis Magos aguardam ansiosamente para adorá-lo. O pobre menino que nasceu e deve viver em nossos corações, foi assim que aprendi, embora o mundo ande muito precisando Dele. Mudando da árvore para presépio, partes do mesmo momento...Momento de contemplação que se rompe... Encontro-me na sala de casa. O pequeno cachorrinho Toquinho, bagunceiro como só, traz uma bola na boca, para brincar com ele, me convidando a voltar à realidade. Bom início de Ano a todos com as bênçãos dos Três Reis Magos e o menino Jesus!

imagem:google

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PRIMEIRO LIVRO DE CRÔNICAS, INTITULADO “RIQUEZAS DO INTERIOR” DA ESCRITORA ELENISE EVARISTO. Este projeto visa divulgar novos nomes e publicações relacionados a Cultura da Cidade de Três Corações, através do lançamento do livro de crônicas “Riquezas do Interior”, da iniciante escritora Elenise Evaristo, contemporânea, mineira, dotada de sensibilidade e cultura e que com estes adjetivos, retrata na sua primeira publicação, embora já tenha sido apresentada ao mundo literário, através da publicação de um artigo, em livro lançado em 2008, intitulado: Quem conta um Conto de Fadas... Uma introdução aos contos de fadas dos Org. Geysa Silva e Luiz Fernando Matos Rocha. INTRODUÇÃO O Estado de Minas famoso por reunir marcas de um passado de riquezas Patrimoniais e Arquitetônicas, trazidas pelo Barroco e Rococó produzidos no século 18, e que garantiu que parte das cidades históricas adquirissem títulos de patrimônio da humanidade por parte dos órgãos responsáveis, possui ainda mais requinte quando se trata do legado da Cultura popular deixada pelos povos mais antigos. A cultura mineira tradicional fértil e diversificada, atravessa tempos e mostra para o Brasil a importância de se abrasileirar ainda mais as nossas tradições !

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Eu,por mim mesma: Virginiana, Terra, Melancólica. Tímida, Dedicada, Ciumenta, Muito Amor: Deus, família, alguém que sabe quem, amigos, Minas Gerais,e Literatura. Impulsiva, Sensível, Aspirante à escritora. Prazer: pôr-do-sol, cheiro de café coado de preferencia no coador de pano, cheiro de terra molhada, cheiro de curral, brincar com meus sobrinhos, comer bolinhos de chuva, ouvir música, assistir filmes, amo momentos simples e extasiantes Amo cozinhar. Adoro Conversar com pessoas e me encontrar nos meus momentos de solidão.

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