AS RIQUEZAS DO INTERIOR

Riquezas do Interior, o livro de estréia da escritora mineira Elenise Evaristo, abre caminhos no cenário literário brasileiro com a telúrica brejeirice de Minas Gerais. É em horinhas de descuido, como diria o também mineiro Guimarães Rosa, que Elenise capta momentos do cotidiano das cidades do interior e, com uma linguagem leve e acessível, convida o leitor a conhecer as riquezas de suas lembranças e de sua terra. Amalgamado ao seu estilo, Elenise utiliza seu repertório de leitora que vai de Drummond a Proust, passando por Machado de Assis e Rachel de Queiroz, para dar forma a sua escrita. Nas 27 crônicas que compõem o livro, a escritora traz à tona a imagem dos contadores de “causos”, a alegria das festas tradicionais, a inata religiosidade do povo de Minas, a singularidade da cultura popular das Gerais e reverencia personalidades marcantes e importantes por sua “mineirice”, como Fernando Sabino e Juscelino Kubitschek. Sob o olhar sensível e aguçado da autora, são resgatados valores humanos que, ao contrário do que se pensa, não ficaram perdidos no tempo, mas adormecidos no íntimo de cada um. Riquezas do Interior é um convite para que esses valores sejam despertados e para que possam ser postos em prática o quanto antes. Um mergulho no interior de cada indivíduo. Uma percepção das riquezas do ser humano. É o que Elenise Evaristo desafia seu leitor a fazer. * Texto escrito por Ana Carla Nunes e Beatriz Badim de Campos

Em minha casa tinha uma maritaca coquinho (com a cabecinha amarela), mas a ave não falava nada, só emitia gritinhos chatos, mas enfim, tínhamos um amor danada por aquela ave, chamada Lolinho, só não sabia se era macho ou fêmea, deixo isso, porém, para os biólogos. Herdamos este amor por maritacas com meu pai, e sempre deixávamo-las soltas pelo quintal (mineiro ainda fala terreiro),quando cansavam do puleiro. Lembro-me de Lia, uma maritaca grande e falante, que acompanhou minha família por 15 anos, e sempre via seus amiguinhos partirem primeiro para o além. Depois de Lili, que carinhosamente a chamávamos, ainda chegamos a arrumar outra maritaca, já adulta, mas mal permaneceu em nossa casa por dois dias, a doadora veio buscar, o filhinho tava sentindo falta da avezinha. Depois disso, não arrumamos mais maritaca.
Mas vamos ao Lolinho. Um dia de Setembro de 1.997, fui fazer compras com minha mãe. Voltamos para casa. Lolinho havia sumido, abruptamente, fugiu de casa. Ah, chorei por causa do danadinho, pensando onde estaria, que sofreria, que podia morrer de frio, estas coisas tolas, sem pensar que os animais sabem se virar melhor que os “humanos”. Mas foi um momento triste para mim. Pois bem, minha mãe neste dia estava incógnita desde a manhã, como nunca vi. E logo que viu minha tristeza, começou a falar ponderadamente sobre liberdade, que Lolinho estava bem, que aves gostam de liberdade, ela sempre calada, estava diferente, naquele discurso. Lembro-me direitinho de algumas de suas palavras, que não saem de minha memória afetiva: “Ele agora está feliz, não está mais preso, era melhor do que ficar aqui... Se pessoas gostam de liberdade, imagine os animais”.
Subitamente, me conformei. Minha mãe assim, tão inquestionável e firme em seu discurso, aceitei o sumiço da ave. Dois dias se passaram, minha mãe faleceu, de ataque cardíaco.Dizem que as pessoas antes de morrer, ficam diferentes. A conversa sobre Lolinho, sobre liberdade. Senti uma dor indizível. Será que estava pressentindo sua morte súbita? Não sei. Alçou voo como Lolinho


Existem pessoas e Pessoas, já disse alguém...Confesso que Ana Carla foi uma pessoa que é a Pessoa. Quando a conheci, em contato com uma amiga minha, através da internet( meio que devo confessar, me repugna, mas quem pode brigar com o destino?), surgiria conversas regas com Milton Nascimento e Fernando Pessoa.Este último é preciso saber dosar né Ana? Acabei ficando bem próxima. Fiquei sabendo que cursava Turismo, portanto, viria a ser turismóloga, palavra pouco usado aqui no canto das Gerais. Além de turismóloga , era baiana , contagiante e leve, ao contrário do mineiro,meditativo e comedido , mas no íntimo,afável nos dizeres do mestre Guimarães Rosa...

Achei que este contato virtual não ia durar muito, mas hoje estamos aí, há mais de dois anos e meio de conhecimento e teimosia. O modo de vida devo confessar, é muito diferente, o que não impede de termos, no entanto, uma cultura com raízes quase iguais.Complicado, eu sei,mas a gente se entende.
Fui conhecer Salvador: esta baiana me apresentou tudo, como deve ser o figurino de uma boa turismóloga, que aliás, recomendo seu trabalho: a cultura, o colorido, energia, a boa conversação detalhada ( ô,povo que falar, adoro, pois sou quieta, imagina eu conversando com outro quieto:afffffff, como dizem os soteropolitanos). Mas não é que acabei adorando a Bahia, já conhecia outrora , estive em Porto Seguro, mas nada se compara à capital, é espetacular. A alegria do povo, o ambiente, cada cantinho aspira história, o clima, enfim um harmonioso conjunto que nos faz esquecer de tudo. Quando lá estive fiquei contagiada com a alegria das pessoas, o contagioso bom dia, o sorriso estampado em suas faces, o bom jeitinho de viver. Uma outra visão significativa de mundo, que nos faze render aos encantos da Bahia.
Mas, escrevo estas singelas palavras para parabenizar você, Ana, uma pessoa especial, por mais um aniversário. Que os bons sentimentos estejam antes de qualquer letra de música, fazendo surgir os mais belos acordes, que um belo pôr-do-sol ilumine seus dias. Desejo, em minha singelidade, que sejas sempre esta pessoa, irrefutável, digna, guerreira, que representa tão bem sua cultura, em especial, a mulher baiana.
Que seu caminho seja belo sempre, e rodeado das pessoas que ama, pois merece, bem sabe eu. Que o caminho sempre esteja aberto pra você, guerreira, mulher e sobretudo, humana. Parabéns, por mais um ano, querida Ana.Obrigada por ser um presente em minha vida. CARPE DIEM.

Confesso que fiquei abismada ao ouvir um repórter policial relatar a seguinte notícia: "Trombadinha rouba supermercado". Ora, mesmo com a maioridade do estatuto da Criança e adolescente, lei nº 8.069, sancionada em 13 de Julho de 1990, ainda deparamos com comentários pré-conceituosos como este. O menino havia pegado várias guloseimas...Não é questão de passar a mão na cabeça não, é questão de direitos, afinal as políticas públicas estão ai para ajudar a resolver esta triste situação. Como alguém ainda pode se referir a uma criança, ou adolescente, como trombadinha nos dias de hoje, em meio a tantas questões sociais já existentes?




O ECA frisa que quando uma criança comete um ato infracional, o que foi o caso acima, ele tem todo direito à intervenção estatal, o que acredito, também, tentar manter sua dignidade, e não ser alcunhado de nomes revoltosos que o incitem ainda mais à prática de atos ilícitos. A Constituição desde 1988 reestrutura as políticas sociais, expandindo inclusive os direitos humanos. Existem ainda muito a ser trabalhado, mas dentro do possível, encontramos sim, bons locais que trabalham a família destas crianças. O que temos de oferecer são as chances e os meios de recuperação .
Quando trabalhava em um emprego que lidava com crianças e adolescentes, aconteceu de um belo dia eu ter de acompanhar um menino que havia cometido um pequeno furto até um órgão público de defesa.O menino já era, infelizmente, conhecido na cidade. Por volta de seus 11 anos, até esperar o responsável, estava conversando com o referido garoto, nisto ele estava brincando com as cortinas do local, estas cortinas persianas que abrem e fecham separados por compartimentos divididos em gomos. Me lembro ainda hoje, suas palavras:- Olha tia, quantos pedaços de cortina a senhora ( sim, tratava- nos com todo respeito) acha que tem aqui ? -Eu já contei, adivinha... Mirei os olhos naquele ser frágil, que por situação inconstante tinha que parecer forte da pior maneira para sobreviver e mesmo ganhar respeito no mundo em que vivia.
E ele fez com esmero a cortina acinzentada seu doce brinquedo. Conheci a face de um menino que já tinha de se defender como um homem. Detalhe, que a família do garoto se recusava a melhorar, o desfecho da história, não me convém dizer, mas aquela cena, certamente ficará em minha memória. O que existia por trás daquele menino-homem? Eis a questão. Muitos falam que isto não é desculpa, mas julgar assim é tão fácil, sem conhecer a realidade.
Ressalto que ainda falta muito para que a legislação seja cumprida integralmente, esbarramos ainda em muitas barreiras, faltas de recursos, burocracias, mas cada um fazendo sua pequena parte, com certeza será possível corrigirmos nossas crianças e adolescentes, sobretudo através do amor, e não do desprezo.

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PRIMEIRO LIVRO DE CRÔNICAS, INTITULADO “RIQUEZAS DO INTERIOR” DA ESCRITORA ELENISE EVARISTO. Este projeto visa divulgar novos nomes e publicações relacionados a Cultura da Cidade de Três Corações, através do lançamento do livro de crônicas “Riquezas do Interior”, da iniciante escritora Elenise Evaristo, contemporânea, mineira, dotada de sensibilidade e cultura e que com estes adjetivos, retrata na sua primeira publicação, embora já tenha sido apresentada ao mundo literário, através da publicação de um artigo, em livro lançado em 2008, intitulado: Quem conta um Conto de Fadas... Uma introdução aos contos de fadas dos Org. Geysa Silva e Luiz Fernando Matos Rocha. INTRODUÇÃO O Estado de Minas famoso por reunir marcas de um passado de riquezas Patrimoniais e Arquitetônicas, trazidas pelo Barroco e Rococó produzidos no século 18, e que garantiu que parte das cidades históricas adquirissem títulos de patrimônio da humanidade por parte dos órgãos responsáveis, possui ainda mais requinte quando se trata do legado da Cultura popular deixada pelos povos mais antigos. A cultura mineira tradicional fértil e diversificada, atravessa tempos e mostra para o Brasil a importância de se abrasileirar ainda mais as nossas tradições !

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Eu,por mim mesma: Virginiana, Terra, Melancólica. Tímida, Dedicada, Ciumenta, Muito Amor: Deus, família, alguém que sabe quem, amigos, Minas Gerais,e Literatura. Impulsiva, Sensível, Aspirante à escritora. Prazer: pôr-do-sol, cheiro de café coado de preferencia no coador de pano, cheiro de terra molhada, cheiro de curral, brincar com meus sobrinhos, comer bolinhos de chuva, ouvir música, assistir filmes, amo momentos simples e extasiantes Amo cozinhar. Adoro Conversar com pessoas e me encontrar nos meus momentos de solidão.

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